Cresce demanda por crédito no começo da safra 2014/15

Ruy Baron/Valor
"Mesmo com preços descendentes, produtor continua apostando", afirmou Dias

O financiamento rural contratado por produtores junto ao Banco do Brasil nos primeiros meses da safra 2014/15, entre julho e 15 de setembro deste ano, registrou um crescimento de 43% frente ao mesmo período da safra passada (2013/14), disse ao Valor o vice-presidente de Agronegócios e Micro e Pequenas Empresas do BB, Osmar Dias.

Apesar das projeções de mercado que apontam para produção agrícola em alta e preços em baixa, o banco – líder em crédito rural, com 65% de participação no segmento – prevê um incremento de 16% no desembolso com suas linhas e programas de crédito rural ao longo da safra 2014/15, que começou dia 1º de julho e termina em 31 de junho do próximo ano. Para isso, a instituição vai disponibilizar para o período R$ 81,5 bilhões, afirmou Dias. Os recursos previstos pelo governo para o Plano Agrícola e Pecuário 2014/15 totalizam R$ 157 bilhões.

Osmar Dias, que está à frente do cargo desde 2011, observou que o crédito liberado nesse período que antecede a safra é normalmente utilizado para compra de insumos e maquinário. Sem detalhar os números, ele acrescentou que o montante empregado para investimento superou o destinado a custeio.

"Mesmo que tenhamos um fator negativo de mercado, com preços descendentes, o produtor continua apostando, tomando crédito e plantando", afirmou Dias. "A nossa carteira já está evoluindo num ritmo até maior do que no ano passado."

Segundo ele, na safra 2013/14, o Banco do Brasil havia destinado inicialmente R$ 70 bilhões para crédito rural, mas precisou ampliar esse montante para R$ 76 bilhões, o que resultou em alta de 24% nas contratações em relação à temporada anterior. E como essa base de contratação superou as expectativas da própria instituição, a projeção para a atual safra é mais conservadora e "realista".

Dias minimizou a tendência de margens de lucro menores para os produtores e destacou ainda o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) que o governo promete reativar para o início de 2015, a taxas de 6,5% ao ano.

Em sua estratégia para liberar os R$ 81,5 bilhões disponibilizados para a safra 2014/15, o BB aposta no avanço de três conjuntos de linhas de crédito rural recentes. Uma novidade é o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), lançado pela presidente Dilma Rousseff em 2013/14, e que ofertará R$ 25 bilhões em cinco ciclos, a taxas de juros de 4,5% ao ano. Dos R$ 5 bilhões colocados no primeiro ano-safra, R$ 4,8 bilhões foram contratados, dos quais R$ 2,7 bilhões liberados pelo BB. "Essa foi uma proposta do banco para o governo, que certamente vai crescer daqui para a frente", disse.

Em outra frente, para o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), a instituição vai ofertar R$ 3,5 bilhões, ante os R$ 2,5 bilhões da safra passada. Para Dias, o programa, criado em 2010 para estimular o manejo integrado de culturas, pode ser impulsionado agora ante a expectativa de preços baixos para soja e possibilidade maior de alternância com outros produtos como milho e até gado bovino.

Outra aposta é no Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro), que terá neste ciclo R$ 1,4 bilhão contra R$ 380 milhões da safra anterior. Voltado a tecnologias novas, o programa vem sendo procurado pelo setor de cultivos protegidos, como fruticultura.

Para simplificar o acesso de produtores, o BB também lançou um crédito rural "renovável" para custeio, que pode ser renovado a cada cinco anos, em vez de anualmente, como funciona hoje. "Os custos cartoriais devem cair 20% em relação ao que é hoje", estimou Dias.

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Fonte: Valor | Por Cristiano Zaia | De Brasília