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Cresce demanda em leilão de milho

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Após três pregões seguidos com procura abaixo do esperado, o leilão de comercialização de milho da Conab de ontem negociou 95% do volume ofertado, após reajustar em até 155% o prêmio de subvenção oferecido a produtores de Mato Grosso.

Segundo corretores, os prêmios oferecidos nos três leilões anteriores não haviam sido suficientes para cobrir os preços praticados pelas tradings, desestimulando produtores a participar dos pregões. "Se o produtor não conseguir alguém que pague um valor que, somado ao prêmio da Conab, atinja o preço mínimo da saca, ele paga multa de 10% sobre o valor do prêmio. Muitos evitaram correr esse risco", explica Francisco Peres, analista de mercado da Labhoro Corretora, no Paraná.

Com preços fixados 48 horas antes do pregão, o Ministério da Agricultura atribuiu a baixa procura de leilões anteriores à grande oscilação de mercado. No leilão do dia 13, quando só 12% do volume ofertado foi comercializado, os preços na bolsa de Chicago já tinham caído quase 8% em relação aos valores praticados dois dias antes, quando o valor do prêmio fora definido pela estatal.

Nesse intervalo, até a condenação do ex-presidente Lula comprometeu o leilão, já que o dólar despencou naquela dia. "Não é uma má-fé ou incompetência da Conab. Como o mercado está um pouco frenético, às vezes acaba acontecendo isso", explica Peres.

Segundo Ana Luiza Lodi, analista da FCStone, os pregões são de extrema importância diante do elevado volume esperado para a atual temporada, de mais de 96 milhões de toneladas, segundo a Conab. "Os leilões ajudaram a vender parte desse milho e isso é importante. Existe uma questão de falta de infraestrutura de armazenamento que por si só já é um incentivo, obrigando o produtor a comercializar pelo menos parte da produção", afirma ela.

Diante desse cenário, a Conab reduziu o volume comercializado no leilão de ontem para 376 mil toneladas. Com a medida, a procura ficou bem acima da oferta, mas causou um deságio de mais de 40% em algumas regiões devido à oferta elevada. "Na verdade o prêmio oferecido pelo governo é bom. Porém, está tendo muito produto ofertado pelo produtor e teria que ter mais volume de compra por parte do governo", reclama Marco Aurélio, produtor de Lucas do Rio Verde (MT). "No leilão de hoje [ontem], o volume ofertado foi baixo, mas já aumentamos a oferta para a semana que vem e temos bala na agulha para fazer mais três ou quatro leilões", afirma o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller.

A Conab já anunciou que o volume para a próxima rodada de leilões em Mato Grosso, na semana que vem, será de 692 mil toneladas. Contudo, segundo a lógica de formulação dos leilões adotado pelo governo, caso os preços voltem a subir provavelmente o valor inicial do prêmio voltará a cair. O cálculo do ministério leva em conta três variáveis: cotações do dia em Chicago, do dólar e um referencial de frete nos principais portos de escoamento.

  • Por Cleyton Vilarino e Cristiano Zaia | De São Paulo
  • Fonte : Valor