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Cresce defesa contra ferrugem da soja

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O aumento da resistência da ferrugem da soja a produtos tradicionalmente usados para defender lavouras de soja do ataque do fungo no país tem estimulado o crescimento da demanda pelos chamados fungicidas de contato nas últimas safras. A grosso modo, os fungicidas de contato conferem proteção externa às plantas, como "pomadas", e sua aplicação normalmente se dá em conjunto com os fungicidas sistêmicos – que podem ser considerados antibióticos nesse tipo de comparação. Tanto os sistêmicos quanto os de contato são fungicidas de uso específico.

Levantamento realizado pela consultoria Spark, com sede em Valinhos (SP), mostra que, na safra 2014/15, esses fungicidas protetores foliares foram aplicados em cerca de 6% dos campos de soja dos principais Estados produtores do grão no Brasil. Naquela temporada, o Rio Grande do Sul liderou o uso desses produtos, que foram utilizados em cerca de 15% das lavouras gaúchas. Na temporada 2015/16, o percentual médio atingiu 22% no país, e na temporada 2016/17, cuja colheita já terminou, a taxa nacional média de utilização chegou a 38%, e o resultado superou 30% em diversos Estados.

De acordo com o engenheiro agrônomo André Malzoni dos Santos Dias, sócio-diretor da Spark, o maior percentual de adoção em 2016/17 ainda foi registrado no Rio Grande do Sul (55%), mas foi expressiva a proliferação dos fungicidas de contato também em Mato Grosso do Sul (40%), Mato Grosso (39%), São Paulo (39%), Paraná (34%) e Goiás (33%). De acordo com Dias, os percentuais obtidos em entrevistas com agricultores indicam pelo menos uma aplicação desse tipo de produto nas lavouras.

"O avanço tem sido acelerado, motivado sobretudo pela preocupação dos produtores com a ferrugem. Podemos afirmar que foi um dos principais fatores que motivaram o aumento de custos dos sojicultores nas últimas safras". Segundo os cálculos da Spark, fungicidas para combater a ferrugem foram adotados em praticamente todas (98%) as lavouras de soja do país em 2016/17. Os produtos sistêmicos foram usados em 100% dessas aplicações.

De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), as vendas de defensivos em geral somaram US$ 9,6 bilhões no mercado brasileiro em 2016, mesmo patamar do ano anterior. Desse total, os fungicidas representaram 43%, mas os fungicidas foliares ainda responderam por apenas um ponto percentual dessa fatia. Mato Grosso liderou as vendas de defensivos em geral, com uma participação de 20%, seguido por São Paulo (14%), Paraná (14%), Rio Grande do Sul (13%) e Goiás (10%).

Por Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor