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Crédito rotativo gera polêmica no RS

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Agrônomos questionam projeto em gestação no Ministério da Agricultura

O Crea-RS, o Senge-RS e o Sargs abriram ofensiva contra o projeto de crédito rotativo que o Ministério da Agricultura (Mapa) pretende implantar. A proposta é realizar um contrato de custeio para três anos, com renovações anuais, sem a necessidade de registro no cartório e de um novo projeto a cada ano. Uma comitiva gaúcha esteve reunida com o secretário de Política Agrícola, Neri Geller, em Brasília, para pedir o arquivamento da proposta. Entre os pontos questionados pelos agrônomos está a validade dos laudos técnicos por mais de um ano agrícola, o que deixaria as lavouras desassistidas. Geller justifica que a medida busca reduzir a burocracia, principalmente para as regiões que realizam duas safras anuais. ‘Vamos começar a discutir o tema com o setor, ainda é embrionário, mas a ideia é que o acompanhamento técnico e de projeto permaneça.’

O presidente do Crea-RS, Luiz Alcides Capoani, deverá levar o assunto à reunião do colégio de presidentes do Conselho em 5 de agosto, no Espírito Santo. São duas as justificativas da categoria contra o crédito rotativo: a possibilidade de fraude e a preocupação com a queda na produção. Questionado se a pressão contra a proposta tem a ver com reserva de mercado, Capoani nega, apesar de reconhecer que haverá impacto na atuação dos agrônomos. Segundo o coordenador adjunto da Câmara de Agronomia do Crea-RS, Luiz Trevisan, caso a proposta seja mantida, que o benefício então fique condicionado à renovação de laudos técnicos anuais.

O produtor Laurindo Nikitz, de Santo Ângelo, considera importante a vinculação anual com um agrônomo, justificando que foge à capacidade dos agricultores interpretar análises de solo e gerenciar os tratos culturais.

Fonte: Correio do Povo