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Crédito fácil incentiva decisões impulsivas de gastos

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Graves distorções no sistema financeiro da China estão sendo vistas por muitos analistas como o maior fator individual por trás do "boom" desenfreado dos investimentos no país.

Grandes corporações e entidades que contam com o apoio do Estado podem tomar dinheiro emprestado dos bancos a taxas artificialmente baratas, alimentando decisões de investimentos impulsivas. Enquanto isso, as empresas menores – a alma da economia, gerando 80% dos empregos – são vistas como tomadores de risco, uma vez que não contam com o apoio do governo e assim têm pouco acesso ao sistema financeiro administrado pelo Estado.

"O dinheiro acaba indo para as empresas estatais e elas podem usar isso para entrar no mercado imobiliário ou fornecer financiamentos para outros, de modo que as bolhas de ativos ficam mais e mais sérias", diz Zhang Jun, da Fudan University de Xangai.

O governo ordenou às companhias estatais que parassem de investir em imóveis se eles não fossem um de seus negócios principais, numa tentativa de conter uma tendência que as autoridades temiam que estivesse provocando uma alta nos preços dos imóveis e aumentando os riscos para os balanços das empresas. Mas muitas companhias ignoraram essa ordem e continuaram investindo em imóveis, até que o mercado se viu com problemas no ano passado. Por exemplo, a Cofco, maior comerciante de grãos do país, é também uma das maiores incorporadoras de shopping centers.

"Nossa grande preocupação é ter lucro, e não abandonar o mercado imobiliário residencial", disse um diretor de uma empresa estatal, cujo nome não foi citado, ao "China Business News", um jornal local.

As pessoas comuns subsidiam tudo isso ao depositarem suas economias em contas bancárias que pagam juros excepcionalmente baixos. As taxas reais dos depósitos estão em média em 1,5% desde 2004, apesar do crescimento anual de 10% da economia.

O povo chinês tem poucas outras opções para o seu dinheiro. O mercado de ações do país vive assolado por episódios de insider trading e pela governança corporativa ruim; é extremamente difícil para as pessoas investir fora do país; e as indústrias dos fundos mútuos e dos seguros são pouco desenvolvidas.

Fora os bancos, os poupadores têm uma outras opção de investimento viável: os imóveis. Um estudo feito pela Southwest University of Finance and Economics da China constatou recentemente que os habitantes das cidades possuem em média 1,2 residência.

Com muita gente da classe média lutando para conseguir imóveis, a implicação é que os cidadãos mais ricos sempre têm muitas casas e não se importam que elas fiquem vazias, acreditando que elas vão se valorizar no futuro. "É muito comum autoridades com poder e dinheiro ter quatro ou cinco casas", disse Zhang Zulin, o prefeito de Kunming, cidade do sudoeste da China, no mês passado.

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Fonte: Valor | Por Financial Times