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Crédito caro e restrito é desafio adicional para agronegócio

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Tenho viajado bastante pelo Brasil ao longo desse ano. Nas últimas semanas passei, especialmente, por Mato Grosso e Rio Grande do Sul e em ambos os estados ouvi uma mesma preocupação: o crédito continua caro, restrito e está inibindo produtores rurais de investir ou até comercializar melhor as safras. O desafio adicional para o agronegócio vai ser conviver, também em 2017, com as limitações do crédito oficial e os altos custos do dinheiro em multinacionais e bancos privados.

Na próxima semana o governo vai anunciar as condições do Plano Agrícola e Pecuário, mas o Mercado&Cia já adiantou a informação, trazida com exclusividade pelo comentarista Mauro Zanata. A verdade é que o custeio vai ficar ainda mais caro.

“O mix de juros vai ficar mais alto porque o governo reduziu o subsídio que ele vai oferecer no volume total que estará no Plano Safra e isso vai encarecer na ponta do lápis o mix dos juros para o produtor. O governo deve anunciar no começo da semana que vem R$ 186,4 bi com uma redução de juros de 1 ponto percentual no custeio e investimentos”.

A notícia é pouco animadora e traz reflexos imediatos nas perspectivas de negócios das próximas safras brasileiras. No caso do arroz, o presidente da Federarroz, Henrique Dornelles, diz que é ano de repensar investimentos na lavoura.

“Essa seletividade no crédito, pelo menos o oficial, atingiu em cheio a lavoura de arroz já que ela custa aos arrozeiros em torno de R$ 7 mil por hectare, ou seja, exige muito capital. A medida que se tenha uma seletividade e certa restrição, os produtores se jogam ao crédito privado pagando custo de dinheiro bastante elevado e sem preço fixo. Isso está causando uma descapitalização do setor”, esclareceu.

Em Mato Grosso, maior estado produtor de grãos, a informação de que os juros para custeio vão partir de 8,75% a.a (agricultura empresarial) gerou indignação.

“A queda nos juros de apenas 1 ponto percentual é muito abaixo do que poderia ser.  A queda é muito tímida perante o que já caiu a Selic e frustra nossa expectativa de juros a 7,5% a.a.  Frusta a expectativa de favorecer o setor que tem dado resultados para o Brasil”, diz Endrigo Dalcin, presidente da Aprosoja Mato Grosso.

É bom lembrar, que as recentes quedas nos preços das commodities agrícolas afastaram produtores da negociação com multinacionais, já que o sistema de troca de grãos por insumos ficou menos atrativo. Na maioria dos caos, é preciso entregar mais sacas de soja para receber uma mesma quantidade de químicos ou insumos, por exemplo. A alternativa do crédito oficial seria um alento para agricultores que estão com margens de lucro negativa. No entanto, ao que tudo indica, financiar o custeio da próxima safra vai ser apenas mais um entre tantos os desafios já anunciados para o próximo ciclo produtivo no Brasil.

Enquanto a queda dos juros oficiais é de um ponto percentual no custeio, o Comitê de Política Monetária do Banco Central se prepara para dar continuidade ao ciclo de cortes na Selic, que saiu de 14,25% no último ano e deve ir para 10,25% amanhã, se confirmada a redução 1 ponto percentual esperada pelo mercado.

Publicado por: kellen_severo

Fonte : Canal Rural