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Cápsulas contribuem para qualidade, diz 3corações

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O consumo de café em cápsulas deve continuar a crescer no país e contribuir para melhorar a qualidade dos cafés de uma maneira geral. Essa é a opinião de Pedro Lima, presidente do Grupo 3corações, que já comercializa o produto e está investindo em uma fábrica de café em cápsulas em Montes Claros (MG). A unidade deve entrar em operação no segundo semestre de 2016.

Lima, que participou ontem do 6º Forum Coffee&Dinner, em São Paulo, disse que o tradicional café coado continuará a ter a preferência do brasileiro, mas que as cápsulas são uma tendência e que seu consumo tem crescido – diferentemente de categorias como o solúvel, cujo consumo está praticamente estagnado.

De uma demanda interna total de 20,3 milhões de sacas em 2014, 1,7% foi destinada às cápsulas no Brasil. No ano anterior, o percentual fora de 1,1% para um consumo doméstico de 20,1 milhões sacas de café, conforme pesquisa da Nielsen encomendada pela Associação Brasileira da Industria de Café (Abic) e apresentados por Lima. Já o consumo de solúvel correspondeu a 9,1% do total em 2013 e a 9,3% do total em 2014.

"A penetração nos lares está aumentando", observou. Em 2014, as cápsulas estavam presentes em 1% dos lares – o que significa 474 mil residências, que compraram 800 gramas de café em cápsulas, em média, no ano. Outra pesquisa apresentada por Lima, realizada pela GFK, indica que os três maiores players de cápsulas no país são, respectivamente, Dolce Gusto, Três (do Grupo 3corações) e Nespresso.

Para Lima, as "indústrias de café têm se qualificado, mas têm de fazer mais. Senão, vamos ter que importar café", disse, numa alusão à decisão do governo de autorizar a importação de café do Peru pela indústria. Ele admitiu que no futuro isso pode ocorrer, "mas tudo tem momento".

Segundo ele, é "preciso melhorar o café tradicional, do dia a dia", no país que tem o segundo maior consumo mundial da bebida e onde a demanda cresce 1,24% ao ano. Segundo a Nielsen, são 81 litros de café por habitante e uma penetração em 98,7% dos lares nacionais. O presidente do 3corações também disse que a consolidação no mercado vai continuar. Hoje, afirmou, as dez maiores empresas têm 74% do volume de café do mercado, entre 455 empresas associadas à Abic.

Lima acredita que a produção brasileira de café na safra 2015/16 deverá chegar a 50 milhões de sacas. Para ele, os preços do café " estão em um patamar saudável. [Mas o comportamento das cotações] Vai depender da agressividade das exportações", afirmou ele.

Fonte: Valor | Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo