Cotação internacional do leite em pó despenca

Os preços do leite em pó atingiram o menor nível histórico no mercado internacional pressionados pela fraca demanda da China e pela produção ainda em níveis elevados em algumas regiões exportadoras, como Nova Zelândia, Estados Unidos e Europa.

No leilão de ontem da plataforma Global Dairy Trade (GDT), que é referência para o mercado internacional de lácteos, a cotação média do leite em pó integral ficou em US$ 1.590 por tonelada, o menor valor desde que os leilões foram iniciados, em 2 de julho de 2008. No leilão anterior, em 15 de julho passado, a cotação havia sido de US$ 1.848 por tonelada. No pregão do leite em pó desnatado, o preço médio foi de US$ 1.419 por tonelada, também baixa histórica desde que os leilões começaram, em março de 2010. No leilão anterior, o valor médio havia sido de US$ 1.702 por tonelada.

A intensidade da nova queda surpreendeu analistas, ainda que o cenário de demanda fraca em um mercado ofertado persista.

"A China não está comprando e os estoques devem estar elevados. Além disso, há informações no mercado de que a produção de leite também está crescendo naquele país", afirma Valter Galan, analista da MilkPoint, consultoria especializada em lácteos. A China compra cerca de 60% do leite em pó integral exportado no mundo.

Ele acrescenta que a Nova Zelândia também registra leve crescimento da produção. A economia do país, bastante dependente das exportações de lácteos, vem sofrendo com a menor demanda chinesa pelos produtos.

Além do aumento da produção na Nova Zelândia, também tem havido crescimento na oferta na União Europeia e Estados Unidos, segundo Galan. No primeiro caso, o aumento da produção é estimulado pelo fim do regime de cotas desde março deste ano.

Conforme levantamento da MilkPoint, entre janeiro e junho de 2015, a China importou cerca de 49% menos leite que no mesmo período do ano passado, volume que corresponde a cerca de 3 bilhões de litros em equivalente leite.

Em período semelhante, a produção nos EUA, União Europeia, Nova Zelândia, Brasil, Austrália, Argentina e Uruguai aumentou 1,1 bilhão de litros de leite em relação a igual intervalo de 2014, informa Galan. Isso significa um excedente de 4,1 bilhões de litros equivalente leite no mercado.

Do lado da demanda, a redução das compras de lácteos por parte da Rússia também pesa no mercado, segundo o consultor.

Ele observa ainda que os estoques mundiais de leite no fim do primeiro semestre ficaram quase 60% acima de igual período de 2014, alcançando 561 mil toneladas. Para o analista, uma recuperação dos lácteos deve ocorrer entre o primeiro e o segundo trimestre de 2016. Uma das razões é que os atuais preços tendem a desestimular a produção.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo
Fonte : Valor