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Cotação em alta anima produtor de soja do Sul do Brasil

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Expectativa é de aumento da área de plantio do grão no Rio Grande do Sul

Nilson Mariano | nilson.mariano@zerohora.com.br

AP Photo/Andre Penner

Foto: AP Photo/Andre Penner

Alta cotação do bushel do grão anima o setor

Depois da estiagem que devastou metade das lavouras de soja no Rio Grande do Sul, os produtores gaúchos recebem uma notícia alentadora para a próxima safra. A alta cotação do bushel (medida americana equivalente a 27,2 quilos) do grão anima o setor.

O preço da soja alcançou a cotação máxima de US$ 16,79 na segunda, dia 9, na Bolsa de Mercadorias de Chicago, e fechou em US$ 16,65. Na terça, recuou um pouco, para US$ 16,48. O presidente interino da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja/RS), Pedro Reus Nardes, projeta que a área de plantio será ampliada. Os agricultores estão descapitalizados, em razão da quebra de safra, mas investirão na próxima colheita para iniciar a recuperação dos prejuízos.

– O preço internacional é uma loucura – destaca Nardes, representando 350 mil produtores gaúchos.

A cotação recorde foi causada pela escassez da soja. Além do Rio Grande do Sul e de parte do Brasil, a estiagem castigou a Argentina (terceiro produtor mundial), o Paraguai e agora aflige os Estados Unidos (primeiro lugar). O analista de mercado Farias Toigo, da Capital Corretora, diz que o agricultor que conseguiu estocar soja agora está vendendo como nunca. A saca de 60 quilos já está em R$ 76.

– Uma pena que são poucos – lamenta Toigo.

Se o clima ajudar na próxima safra e a cotação se mantiver nas alturas, a soja voltará a mover a economia. Rodrigo Feix, da Fundação de Economia e Estatística (FEE), lembra que o grão representou 20% do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária gaúcha em 2011. Nas exportações, o complexo soja (grãos, farelo, óleo e derivados) respondeu por 24% das remessas do Estado, faturando US$ 4,7 bilhões.

– A soja é o principal produto agrícola, tem um efeito encadeado sobre outras atividades – ressalta o economista da FEE.

Se a colheita da soja é farta e rentável, também são beneficiados os setores de fertilizantes, máquinas agrícolas, o comércio das cidades, a arrecadação de impostos pelas prefeituras, a indústria do ramo e a oferta de empregos. Economista da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz entende que o agricultor deve aproveitar o momento. Mas sugere que, além do clima, preste atenção às cotações.

PERSPECTIVA DE RETOMADA
O que pode ocorrer no Rio Grande do Sul se a próxima safra de soja for exitosa e a cotação do bushel se mantiver alta:

Lavoura
A área de plantio deve aumentar. A Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja/RS) diz que não há mais regiões disponíveis para ampliar a agricultura no Estado. A tendência é de que haja uma diminuição nas lavouras de milho e arroz, principalmente, para acomodar a expansão da soja. Ao mesmo tempo, deve crescer a contratação de trabalhadores rurais para o preparo do solo, a semeadura e a colheita.

Máquinas
A expansão das lavouras de soja deve reverter em maior venda de tratores e colheitadeiras. O presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), Claudio Bier, destaca que o setor, como está ligado ao campo, certamente será beneficiado. O Estado produz 60% das máquinas agrícolas do país. O ramo de insumos, fertilizantes e agrotóxicos também será contemplado.

PIB
O PIB agropecuário deste ano cairá, em razão da estiagem, mas ainda não se pode dimensionar o impacto. Se a próxima safra de soja vingar, a expectativa é de que o PIB agropecuário retome pelo menos o patamar de 2011, quando chegou a 18,8% – acima do PIB gaúcho, que ficou nos 5,7%. A soja corresponde a 20% do PIB agropecuário. E respondeu por 24% das exportações totais do Rio Grande do Sul, em 2011.

Consumidor
A valorização da soja deve se refletir no aumento da cesta de alimentos. Repercutirá diretamente no preço do óleo de cozinha. E indiretamente no preço das carnes de suíno e frango, pois a ração animal contém farelo de soja. No entanto, a Fundação de Economia e Estatística (FEE) diz que o impacto pode não ser significativo, por causa do peso da alimentação no orçamento familiar. O preço final dependerá dos custos das indústrias.

ZERO HORA

Fonte: Ruralbr