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Cotação do etanol aumenta na usina e sinaliza oferta apertada

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Alf Ribeiro/Folhapress
Ao consumidor final, nos postos de combustíveis, o reajuste nos preços somente deve chegar daqui a três semanas

A percepção de uma produção apertada de etanol e de uma entressafra longa neste ciclo 2014/15 começa a se instalar no mercado. Ao consumidor final, os preços do hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, ainda mantêm certa estabilidade e até recuos. Mas na usina em São Paulo, o viés começou a indicar uma alta mais persistente.

Revisão feita na última semana pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) para incorporar os efeitos da seca no Centro-Sul indicou que a produção de etanol hidratado na região nesta safra 2014/15 não será mais de 14,6 bilhões de litros, como se previa no início da temporada, em abril, mas 13,7% menor, na casa de 12,6 bilhões de litros.

"O mercado sabe que a produção será menor e que a entressafra, mais longa. Por isso, é preciso dosar os estoques, o que é feito com ajuste de preços", explica o diretor da trading de etanol Bioagência, Tarcilo Rodrigues.

Na semana entre 25 e 29 de agosto, o indicador Cepea/Esalq para o hidratado na usina em São Paulo subiu expressivos 1,42%, a R$ 1,2326 por litro. "O viés é de alta na usina, mas ao consumidor final, nos postos de combustíveis, a valorização só deve chegar daqui cerca de três semanas", avalia Rodrigues.

Na última semana, entre 24 e 30 de agosto, a pesquisa da Agência Nacional de Petróleo (ANP) identificou preços médios mais baixos de etanol em 12 Estados, entre eles, São Paulo, o maior consumidor de combustíveis do país. O preço médio do hidratado nos postos paulistas caiu 0,10%, a R$ 1,873 o litro no intervalo. Em outros 12 Estados, o preço médio do etanol subiu e em dois Estados e no Distrito Federal ficaram estáveis.

A paridade do etanol com a gasolina no Estado de São Paulo está vantajosa para o etanol há pelo menos dois meses na casa dos 65%, lembra Rodrigues. Essa viabilidade existe quando esse percentual é inferior a 70%, segundo parâmetro mais conhecido no mercado. Há cerca de um mês está também vantajoso abastecer com etanol, segundo o mesmo parâmetro, nos Estados do Paraná, Mato Grosso e Goiás.

Essa condição vem sustentando o consumo de etanol no país. Segundo dados da Unica, as vendas de etanol hidratado feitas pelas usinas vêm se mantendo estáveis. Na primeira quinzena de agosto, último dado disponível, as unidades industriais comercializaram 585,472 milhões de litros de etanol hidratado, ante 586,190 milhões de litros vendidos em igual quinzena de 2013. No mês de julho, no entanto, as vendas feitas pelas usinas do Centro-Sul recuaram 10%, puxadas pelo menos consumo no período da Copa do Mundo, mas ainda estão acima de 1 bilhão de litros mensais (1,085 bilhão).

A convicção de que o viés de alta no mercado de hidratado está se instalando se deve também à percepção de que a entressafra da cana-de-açúcar no Centro-Sul será mais longa do que o normal. Com a quebra de produtividade agrícola causada pela estiagem, sobretudo em São Paulo e em Minas Gerais, a disponibilidade de cana-de-açúcar para moagem será menor, o que tende a fazer com que as usinas antecipem o fim das operações, de dezembro, para novembro – com algumas unidades parando de processar em outubro.

A Unica reduziu em 6%, a 545,893 milhões de toneladas sua estimativa para a moagem em 2014/15 na comparação com a primeira projeção, feita em abril. O volume, se confirmado, será 8,57% menor que o processado em 2013/14.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo