Coruripe faz captações, obtém US$ 370 milhões e rola dívidas

Bruno Magalhães/Nitro
Sousa: necessidade de refinanciamento está equacionada até março de 2015

A alagoana Usina Coruripe, uma das maiores do país no segmento sucroalcooleiro, captou US$ 370 milhões para refinanciar parte da dívida que tem junto a bancos. Foram três operações fechadas na semana passada. Em uma delas, coordenada pelo banco holandês Rabobank, a empresa levantou US$ 190 milhões. Nas outras, foram US$ 90 milhões com o Itaú BBA e mais US$ 90 milhões com o Santander.

"Os bancos têm criado muitas restrições e diminuído sua exposição na área de açúcar e etanol. Havia uma expectativa muito desfavorável em relação ao refinanciamento das dívidas do setor este ano", disse o presidente da Coruripe, Jucelino Sousa, conforme adiantou ontem o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor.

A Coruripe, controlada pelo Grupo Tércio Wanderley, apresenta-se como uma das dez maiores usinas do Brasil. Tem sede e uma unidade de produção em Alagoas e quatro plantas em Minas Gerais. Conta com 10,7 mil trabalhadores e, no período de abril de 2014 a março de 2015, seu faturamento deverá somar US$ 1,6 bilhão, segundo Sousa – cerca de 10% mais que entre abril de 2013 e março passado.

"Nós conseguimos, com bastante antecedência, fazer o refinanciamento de toda a nossa dívida vincenda nesta safra de 2014/15 e já incluímos nesse pacote de refinanciamento algumas dívidas que vencerão do ano fiscal de 2015/16", disse.

No balanço referente a 2013/14, divulgado em 31 de março, a Coruripe informou que sua dívida líquida estava em R$ 1,697 bilhão. Quando se descontava as aplicações financeiras, o montante caía para R$ 1,575 bilhão. Sousa afirmou que uma parcela desse total foi amortizada e que a parte da dívida que tem vencimento entre este ano e 2016 é da ordem de US$ 500 milhões (R$ 1,13 bilhão).

Até então, a Coruripe vinha refinanciando sua dívida apenas por meio de negociações individuais com bancos e sempre captando valores menores, geralmente de US$ 30 milhões e US$ 50 milhões. Com Itaú BBA e Santander as negociações foram individuais, mas os valores, maiores. E a operação com o Rabobank foi a primeira sindicalizada – o banco holandês liderou, mas participaram também MetLife, Bradesco, Votorantim, ABC Brasil, Banco do Brasil e Citibank. O prazo de amortização, nesse caso, é de cinco anos.

Sousa disse que as vantagens para a Coruripe de uma operação sindicalizada são a redução de custos e o fato de a empresa ter um único contrato e fazer uma consolidação das garantias oferecidas aos credores.

Todos os bancos que participaram dessa operação sindicalizada, exceto MetLife e ABC, são credores da Coruripe. "O que temos visto ultimamente são alguns bancos deixando o setor de açúcar e etanol. E a gente conseguiu atrair dois novos bancos. Foi uma conquista que mostra a força do crédito da empresa", disse.

A necessidade de refinanciamento até março de 2015 está "totalmente equacionada" com a captação sindicalizada e com as operações com Itaú BBA e Santander, afirmou o executivo. Parte da necessidade até março de 2016, também.

A Coruripe, disse Sousa, evitou interrupções na produção e conseguiu, ao contrário, de grupos do Centro-Sul também endividados, até aumentar sua capacidade moagem de cana-de-açúcar. Neste ano, bateu no teto de sua capacidade instalada, que é da ordem de 13,5 milhões de toneladas.

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Fonte: Valor | Por Marcos de Moura e Souza | De Belo Horizonte