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Copersucar lucrou R$ 254 milhões na safra

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Numa safra em que os preços estiveram favoráveis para o setor sucroalcooleiro em geral, a trading Copersucar optou por carregar estoque de açúcar e antecipar a venda de etanol, o que ampliou seu lucro líquido em 2016/17. Contudo, com a virada das cotações do açúcar nesta temporada, a 2017/18, a empresa avalia que pode ter que promover mudanças em sua estratégia de comercialização.

Na safra 2016/17, a Copersucar multiplicou seu lucro líquido aos controladores em mais de sete vezes, para R$ 254,4 milhões, enquanto sua receita líquida subiu 7,3%, para R$ 28,3 bilhões. A participação do açúcar no faturamento da empresa cresceu 4 pontos percentuais para 31%, mas o maior peso continuou sendo do etanol, que respondeu por 65% da receita.

Os prêmios do açúcar branco no mercado interno, que bateram recorde, e a forte volatilidade das cotações no mercado internacional contribuíram para o bom desempenho da divisão de açúcar. Isso permitiu à Alvean, joint venture que a Copersucar tem com a Cargill, registrar lucro líquido após ficar no zero a zero em 2015/16.

Paulo Roberto Souza, presidente da Copersucar, afirmou em teleconferência com jornalistas que a companhia se beneficiou da diferença de valores dos contratos futuros que favoreciam o carregamento do açúcar em seus estoques, que têm 3 milhões de tonelada de capacidade.

Nesta temporada, se o superávit de açúcar na safra internacional – que começa em outubro – for confirmado, a Copersucar deve mudar sua estratégia de comercialização, afirmou o executivo. "No ano passado, o cashing care [carregamento] foi uma boa estratégia. Neste ano, o mercado não está mostrando isso. A não ser que mude, a Alvean não deve carregar açúcar como no ano passado", indicou.

Para o etanol, a estratégia ainda vai depender do comportamento do mercado. Na safra 2016/17, o carregamento de estoques de etanol perdeu espaço na estratégia da trading. "Prevíamos um mercado mais frouxo na entressafra e antecipamos venda", afirmou Souza.

A maior parte do resultado com o biocombustível derivou do que o executivo chama de "operações estruturadas", que inclui acordos para a entrega do biocombustível na base das distribuidoras e o comércio internacional do produto. Dos 4,2 bilhões de litros de etanol que a Copersucar negociou de suas usinas associadas, 500 milhões de litros foram para exportação.

A trading também importou 400 milhões de litros de etanol na temporada, "prioritariamente para o Nordeste", diante da abertura de janelas favoráveis para as operações, afirmou Souza.

Segundo Luis Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da Copersucar, a eventual aposta em carregamento de etanol dependerá da trajetória dos preços e, portanto, da reação da demanda. "Se houver reação esperada, o consumo do etanol hidratado deve superar 1,2 bilhão de litros por mês. Se isso se confirmar, para levar o álcool para a entressafra precisa ter uma margem acima do custo financeiro", disse.

  • Por Camila Souza Ramos | De São Paulo
  • Fonte : Valor