Cooxupé vai receber mais café em 2016

Cooxupé amplia compras para atender demanda de importador por novos blends, diz Costa, presidente da cooperativa
A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) estima que a produção de café em sua região de atuação no ciclo 2016/17 deve alcançar 9,5 milhões de sacas. Desse volume, 7,5 milhões de sacas devem ser produção de cooperados da Cooxupé, que tem sede em Guaxupé (MG).

No ciclo 2015/16, quando parte das regiões de cultivo de Minas foi afetada pela seca, a produção na região da Cooxupé somou 7,7 milhões de sacas, considerando cooperados (6,18 milhões de sacas) e não cooperados.

De acordo com Carlos Alberto Paulino da Costa, presidente da cooperativa, que é maior exportadora de café do país, a expectativa é receber dos associados 4,9 milhões de sacas do grão na nova safra e de adquirir outras 1,2 milhão de sacas no mercado. O total, 6,1 milhões de sacas, é 19% superior ao volume da temporada 2015/16.

Na safra passada, quando a seca afetou a produção e houve quebra de 20% na região do Cerrado Mineiro, a Cooxupé recebeu 4 milhões de sacas de cooperados e foi ao mercado adquirir cerca de 1 milhão de sacas de café.

O presidente da Cooxupé afirma que a cooperativa começou a vender para tradings internacionais a partir de janeiro deste ano, e com a quebra na produção teve de comprar mais café no mercado. "Normalmente, compramos 500 mil a 600 mil sacas. Mas tivemos de adquirir 1 milhão [na safra 2015/16]", observa.

O volume comprado de não cooperados deve continuar em patamares mais altos em 2016, diz Paulino, pois há demanda de importadores "por outros tipos de blends, de cafés diferentes do que temos".

Neste ano, a Cooxupé ampliou sua área de ação e o número de cooperados, por isso, a produção deve ser maior do que 2015/16, segundo a cooperativa. São 12,5 mil cooperados, 15% mais do que um ano antes e cinco novas filiais. Com isso, são agora 33 unidades, entre filiais e unidades avançadas.

Costa afirma ainda que a expectativa é de recuperação da produção no novo ciclo em regiões que foram afetadas pela estiagem na safra 2015/16. Para a região do Cerrado, por exemplo, ele espera um crescimento de 40% na produção – a quebra foi de 20% no ciclo passado. No caso do sul de Minas, menos afetado pela seca, a previsão é de aumento de 10%, segundo ele.

A perspectiva é otimista para a safra 2016/17 porque têm havido chuvas regulares nas regiões cafeeiras de Minas, desde o fim de outubro. Agora, observa Costa, é preciso que esse padrão se mantenha entre janeiro e fevereiro, quando ocorre o enchimento dos grãos. "O El Niño tem sido favorável para o café de Minas Gerais", diz.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor