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Cooxupé prevê ampliar comercialização de café

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Simon Plestenjak/Valor

Paulino da Costa, presidente da Cooxupé: exportações deverão aumentar

Maior exportadora de café do Brasil, a mineira Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) espera comercializar este ano 6,2 milhões de sacas de arábica, 400 mil a mais do que as 5,8 milhões vendidas em 2016. A estimativa foi divulgada ontem pelo presidente da Cooxupé, Carlos Alberto Paulino da Costa, antes da Brazil Sustainable Coffee Conference, realizada em São Paulo. No evento também foi comemorado os 60 anos da cooperativa.

No ano passado, a Cooxupé recebeu de cooperados e terceiros 6,28 milhões de sacas. Desse volume, exportou 3,9 milhões de sacas e vendeu 1,9 milhão no mercado interno – e ficou com um remanescente de 400 mil sacas em seus estoques.

A cooperativa deve receber um volume menor de seus associados este ano na comparação com 2016 em função da bienalidade negativa da atual safra 2017/18 de arábica, segundo Paulino da Costa. Em 2016, a Cooxupé recebeu 4,6 milhões de sacas de cooperados, volume que deve ficar entre 3,8 milhões e 4 milhoes de sacas neste ano, estimou. "A quebra no sul de minas é pequena, mas no cerrado será bem acentuada, porque a safra passada (2016/17) foi boa", observou ele.

Um fator que poderia estimular a entrega de café à cooperativa, eventualmente elevando o volume, é que a Cooxupé vinha recolhendo com regularidade o Funrural, segundo ele. Assim, quem entregou para a cooperativa não corre risco de ter de pagar imposto atrasado.

Para toda a área de abrangência da cooperativa, que inclui a produção de cooperados e também de outros produtores em Minas Gerais e São Paulo, a expectativa, segundo Paulino, é de que haja uma redução de 17% na colheita na atual safra. No ciclo 2016/17, a produção foi de 20 milhões de sacas de café nessa área.

Para atingir a meta de comercializar 6,2 milhões de sacas, a cooperativa terá de adquirir entre 1,8 milhão e 2 milhões de sacas de cafés de terceiros e também deve vender as 400 mil sacas remanescentes da safra 2016/17.

Além de ampliar a comercialização como um todo, a Cooxupé também prevê elevar as exportações este ano. Em 2016, os embarques de café verde da cooperativa alcançaram 3,9 milhões de sacas. Este ano, a meta é chegar a 4,2 milhões de sacas.

Para Paulino da Costa, a demanda interna por café arábica deve continuar forte este ano, uma vez que a produção de conilon, espécie que foi afetada pela seca no pais, ainda não está recuperada. No ano passado, a Cooxupé vendeu mais café arábica no mercado doméstico (aumento de 27%) justamente por conta da maior procura por arábica como substituto do conilon nos blends.

Apesar da bienalidade negativa da atual safra, Paulino da Costa não acredita que haverá problemas de abastecimento este ano. Ele observou que, embora os estoques do de café do governo tenham acabado, há café "nas mãos de particulares". Segundo ele, já há colheita de forma pontual na área de abrangência da cooperativa, mas os trabalhos devem vão ganhar força em maio.

(Alda do Amaral Rocha | De São Paulo)

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor