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Cooperativas mobilizam produtores rurais no Rio Grande do Sul

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Conheça os exemplos da Cotribá e da Coopeagril, uma com mais de 100 anos de atuação e outra que dá os primeiros passos no setor

Vagner Benites | vagner.benites@ruralbr.com.br

Cotribá, divulgação

Foto: Cotribá, divulgação

Cotribá é a cooperativa do agronegócio mais antiga em atividade no Brasil

Contar a história de uma cooperativa é também acompanhar a evolução de umacomunidade. Independente do porte, o ideal do movimento passa pelo desenvolvimento econômico aliado ao bem-estar social das pessoas. Influenciado pela cultura italiana e alemã, o Rio Grande do Sul ocupa lugar de destaque no ranking brasileiro do setor. Como exemplo da tradição, no Estado está situada a cooperativa mais antiga do país ainda em funcionamento, a Sicredi Pioneira, de Nova Petrópolis, na região serrana, com 109 anos de atuação ininterrupta no setor de crédito.
No agronegócio não é diferente. Também com origem ítalo-germânica, a Cooperativa Agrícola Mista General Osório Ltda, mais conhecida como Cotribá, completou em janeiro 101 anos de atividades, com atuação em 16 municípios nas regiões do Alto Jacuí, Fronteira-Oeste e Metade Sul. Na outra ponta do tempo, a reunião de produtores de leite de São Paulo das Missões, cidade próxima da fronteira com a Argentina com pouco mais de sete mil habitantes, deu origem em 2010 à Cooperativa de Pequenos Agricultores de Leite (Coopeagril). Independente do tamanho e do tempo de atividade, o trabalho gerou transformações positivas nas comunidades.
Os 5,3 mil cooperados da Cotribá, que tem sede no município de Ibirubá, no Alto Jacuí, estão espalhados por diversas áreas de atuação. A de grãos é a mais representativa, mas ela possui negócios também com insumos, industrializados, posto de combustíveis, rações, peças e ferragens, produtos veterinários e varejo. Trabalho árduo para quem está à frente desse verdadeiro conglomerado, que faturou R$ 600 milhões em 2011 e gerou mais de R$ 20 milhões em impostos para os municípios.
O presidente da Cotribá, Celso Leomar Krug, 61 anos, na companhia há 39 e no cargo diretivo desde 1993, diz enfrentar um desafio todos os dias.
— Tem que ter amor e gostar do que faz. Para mim, cada dia do tempo que estou aqui é uma satisfação — comenta Krug, que também é produtor de grãos no município de 15 de novembro.
Em São Paulo das Missões o desafio é semelhante. Comandar a organização que reúne 540 famílias foi tarefa para Nerison Griep, 42, desde as primeiras conversas para formação da cooperativa, em 2008, até a metade de junho. Hoje membro do Conselho de Administração, ele participa da Coopeagril desde a origem, no final dos anos 1990, quando foi criada a associação para reunir produtores, recolher leite e conseguir melhores preços e que serviu como base da futura entidade.
Do trabalho na sala cedida pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade, a cooperativa já consegue contabilizar os resultados. A maior facilidade para financiar os produtores é destacada por Griep. O crédito de R$ 1,2 milhão, liberado em 2011, foi suficiente para a aquisição de 96 equipamentos que facilitam a produção, transporte e armazenamento do leite. Com o investimento, a expectativa é continuar aumentando a renda e a produção, que saltou dos quatro milhões de litros por ano, em 2008, para 8,2 milhões de litros em 2011 e, além disso, manter uma estabilidade no preço pago pelas empresas compradoras.
DIFICULDADES

O sucesso visto hoje nos negócios da Cotribá é fruto do empenho de cada cooperativado, mas é preciso todos os dias procurar novas formas de incentivar o produtor a seguir nos negócios. Os problemas que afetam a agricultura de forma geral, como as dificuldades de crédito, inconstância climática e o êxodo rural, esse último especialmente forte nos últimos anos, também estão presentes no dia a dia dos associados.
A forma como a Cotribá enfrenta as intempéries está focada, principalmente, no apoio à diversificação da produção.
— Nos últimos 15 anos o êxodo rural foi muito forte. Se a lavoura não é rentável, o produtor desiste. A Cotribá tenta implantar a diversificação da produção para ajudar. E o jovem não quer ficar no interior, então está muito complicado. Ele vem estudar e acaba ficando na cidade — explica Krug.
DIÁLOGO E PARTICIPAÇÃO

Mesmo com os percalços da atividade, tanto a Cotribá quanto a Coopeagril estão avançando. O segredo para manter tantas pessoas envolvidas na atividade com satisfação é compartilhado pelo presidente da cooperativa do Alto Jacuí.
— O segredo é a transparência, democracia, a abertura dos negócios, o diálogo e um bom relacionamento com a comunidade. É ir lá no interior e conversar com o associado. Tem que ter muito diálogo com o corpo associativo. O problema surge quando não tem diálogo — revela Krug.
Na prática, o represenante explica que a cooperativa possui 50 núcleos e em pelo menos duas reuniões por ano a direção está presente no encontro com os associados de cada localidade.
O exemplo da cooperativa mais antiga está sendo seguido em São Paulo das Missões. Representantes dos grupos que formam a Coopeagril participam de reuniões uma vez por mês, além da assembleia geral realizada uma vez por ano. Griep está satisfeito com a participação dos associados.
— Sempre houve uma participação boa. É sempre bom que haja ideias diferentes nesses encontros. De modo geral, é uma relação muito tranquila — comenta.
METAS

Com a escassez de áreas para ampliação, o objetivo da Cotribá para o futuro próximo está no trabalho com a agricultura de precisão. É a forma encontrada para continuar crescendo, aumentando a produtividade das lavouras, aliado à sustentabilidade.
— Não temos mais áreas para expansão, então é preciso investir na agricultura de precisão. Já temos equipamento e profissionais fazendo isso desde 2011, mas o objetivo é continuar investindo — explica Krug.
Na Coopeagril o trabalho ainda é mais modesto em tamanho. O primeiro objetivo de criar e envolver as pessoas na proposta cooperativa foi alcançado. Nas palavras de Griep, a expectativa de planos futuros soa simples, mas ao mesmo tempo carregada de significado.
— Que continue crescendo dentro do que é possível — resume.
Confira os municípios de atuação da Cotribá e da Coopeagril:
Visualizar Série especial Cooperativismo – Cotribá e Coopeagril em um mapa maior
>>> Esta é a terceira matéria da série Cooperativismo: Modelo de Desenvolvimento. As reportagens serão publicadas no RuralBR até quinta, dia 5, e mostram o papel do setor no agronegócio brasileiro, com exemplos de iniciativas que ajudaram no avanço de comunidades.

 

Fonte: Ruralbr