Controladores da JBS sob pressão dos minoritários

A Associação dos Investidores Minoritários (Aidmin) abriu no início de agosto um pedido na Câmara de Arbitragem da B3 contra os controladores da JBS por conta de possíveis prejuízos causados aos acionistas pela administração liderada pelos irmãos Wesley e Joesley Batista.

A ação corre sob sigilo, mas a companhia já teria inclusive apresentado suas contra razões à arbitragem da bolsa. O Valor apurou que o pedido foi liderado por Aurélio Valporto, vice-presidente da associação de minoritários, em coautoria com a Aidmin. Procurado, Valporto não quis dar detalhes sobre a arbitragem. Mas nem por isso poupou críticas à JBS.

"Tudo que existe de errado está reunido ali. Há acusações de insider trading, de manipulação de mercado e de que o conselho não representa o interesse da companhia, só dos controladores", afirmou. A intenção inicial era a abertura de uma ação civil pública, mas a estrutura do acordo de leniência da J&F, holding controladora da JBS, impediu a medida.

No decorrer da arbitragem, deve ser aberto um período de inclusão para outros minoritários na autoria, e a Aidmin quer o BNDES no processo. "Acho que o BNDES tem obrigação moral, como gestor de recursos do povo brasileiro, de se juntar na autoria da arbitragem", disse Valporto.

Principal minoritário da JBS, com participação de pouco mais de 21%, o banco de fomento também já iniciou uma arbitragem privada com a JBS antes da realização de uma assembleia de acionistas da companhia inicialmente marcada para 1º setembro. Na disputa, sustenta que os controladores não podem votar na assembleia sobre seus próprios futuros à frente da empresa. A assembleia só será realizada após a conclusão dessa arbitragem.

Valporto também criticou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a B3 no que se refere a possíveis ações que poderiam ser tomadas contra a empresa. "É uma empresa do Novo Mercado que não respeita absolutamente nada".

Procurada, a JBS lembrou que o tema estava sendo tratado no âmbito da J&F, mas afirmou que sua posição sobre a arbitragem iniciada pelos minoritários é a mesma da arbitragem com o BNDES – ou seja, que depois que veio à tona o teor das delações dos Batista já apresentou um conjunto de medidas "com o objetivo de assegurar a adoção de melhores práticas de governança corporativa, o fortalecimento e aprimoramento de seus programas de compliance e a proteção dos interesses sociais, inclusive por meio da apuração de eventuais prejuízos que tenham sido causados à companhia".

Os irmãos continuam presos preventivamente em São Paulo acusados de uso de informações privilegiadas em operações financeiras.

Por Rodrigo Rocha e Fernando Lopres | De São Paulo

Fonte : Valor