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Contra sangria, estatal terá de encolher

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Fonte: ZERO HORA – RS

Em plano para recuperar a Cesa, governo Tarso planeja vender seis das 22 unidades da companhia

Com uma fonte de prejuízos e litígio nas mãos, o governo Tarso Genro esboçou uma solução drástica para tentar recuperar a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa). O plano inclui venda de patrimônio e redução do número de unidades das atuais 22 para 16.

Seis filiais com capacidade ao redor de 10 mil toneladas devem ser vendidas, além dos cinco hortos florestais.

– Representam juntas menos de 10% da capacidade total da Cesa – pondera Jeronimo Oliveira Junior, presidente da companhia.

Fonte de despesas para a empresa estatal, ao menos uma das chamadas "unidades a frio", a de Caxias do Sul, na Serra, será negociada em troca do abatimento de dívida. Lá, instalações equipadas com resfriadores guardavam laticínios, frutas e pescados, mas ficaram defasadas por falta de investimentos.

Do mesmo tipo, uma filial de Capão do Leão, no sul do Estado, foi resgatada na semana passada, depois da garantia de empresários locais de que haverá mercado para sua reativação. O prédio de Estrela, que pertence a uma empresa federal, também deve ser entregue para quitar aluguéis não pagos. O desbaste das perdas seria complementado pelo aprofundamento da parceira com a COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB).

O governo terá de enfrentar também eventuais passivos no futuro. Entre as várias ações judiciais envolvendo a Cesa, uma discute há dois anos a responsabilidade sobre danos a 4,6 mil toneladas de aveia nos armazéns da companhia na Capital. O prejuízo pode chegar a R$ 3,5 milhões.

Com a experiência de quem já tentou estancar a sangria da Cesa, o ex-presidente Juvir Mattuella tem dúvidas sobre o sucesso do plano. Lembra que já colocou os cinco hortos à venda, mas não apareceram interessados. Também explorou a possibilidade de arrendar as menores unidades a grupos de produtores, mas não conseguiu.

– Como é uma instituição pública, também depende do humor político – diz Mattuella.

Outro ex-dirigente da Cesa, José Carlos Celaro, que hoje atua na iniciativa privada, considera a guarda de estoques de governo, via CONAB, uma boa alternativa. Mas sugere um caminho complementar: buscar associação com outras entidades cooperativadas do Estado.

– Vejo na cooperativa uma aliada preferencial da Cesa, com vantagens para os dois lados. Algumas cooperativas alugavam parte de silos da Cesa e geriam aquela parte. Pode ser uma alternativa – analisa.

adriana.irion@zerohora.com.br joseluis.costa@zerohora.com.br marta.sfredo@zerohora.com.br

ADRIANA IRION, JOSÉ LUÍS COSTA E MARTA SFREDO