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Consumo de frango volta a crescer

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Ricardo Cassiano/Valor
"Fomos beneficiados pelos preços elevados da carne bovina", diz Turra, da ABPA

Depois de recuar no ano passado devido ao impacto da inflação de alimentos, o consumo per capita de carne de frango voltou a crescer no Brasil neste ano, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), entidade que representa a indústria de carnes de frango e suína. Desta vez, foram os preços elevados – em alguns momentos do ano, recorde – da ‘concorrente’ carne bovina que ajudaram a elevar o consumo de frango, proteína mais barata.

Segundo estimativa da ABPA, o consumo per capita da carne de frango chegou a 43 quilos por habitante ao ano, alta de 2,8% ante os 41,8 quilos registrados no ano passado. O consumo per capita, porém, ainda é inferior aos 45 quilos por habitante registrados em 2012.

"O crescimento do consumo se deu muito porque fomos beneficiados pelos preços elevados da carne bovina", afirmou o presidente-executivo da ABPA, Francisco Turra, em encontro ontem com jornalistas. Segundo ele, o consumo só não cresceu mais neste ano no Brasil devido ao clima "meio recessivo" da economia do país.

A despeito das preocupações com o desempenho da economia brasileira em 2015, a indústria de carne de frango exibe otimismo e estima que a produção nacional da proteína crescerá de 3% a 4% no próximo ano. Segundo o vice-presidente de aves da ABPA, Ricardo Santin, a alta da produção será absorvida tanto no mercado local quanto nas exportações, puxadas por China e Rússia.

No mercado brasileiro, os preços altos da carne bovina devem continuar estimulando o consumo da carne de frango. "O consumo per capita de frango vai aumentar porque o preço da carne bovina vai seguir em patamares muitos altos", afirmou Santin.

Em relação ao mercado externo, Santin destacou as perspectivas promissoras para o avanço das vendas para a China, especialmente porque, no último mês, o Ministério da Agricultura brasileiro acertou, em visita ao país asiático, a habilitação de mais sete plantas produtoras de carne frango e uma de suíno para exportação. Ainda restam pendências burocráticas para formalizar o acordo.

"Se a gente confirmar a habilitação dessas novas plantas, a China será é o principal vetor de crescimento, acompanhada da Rússia", disse. Ao todo, a ABPA estimou ontem que as exportações brasileiras de carne de frango crescerão de 3% a 4% em 2015.

Neste ano, a produção brasileira de carne de frango somou 12,650 milhões de toneladas, alta de 2,8%, estimou a ABPA. Já as exportações do produto cresceram 2,4%, para US$ 8,09 bilhões. Em quantidade, os embarques devem ter crescido 2,5%, a um volume recorde de 3,99 milhões de toneladas.

No caso da carne suína, a APBPA estima que a produção brasileira crescerá de 2% a 3% em 2015. Segundo Rui Vargas, vice-presidente de suínos da ABPA, o aumento da produção será puxado apenas pelo aumento da produtividade – com maior peso dos leitões abatidos.

"Temos previsão de aumentar a produtividade. Com as mesmas matrizes e leitões de peso maior, prevemos aumento de produção de carne em torno de 2% a 3%", afirmou ele, durante o encontro na ABPA. Neste ano, a entidade estima que a produção de carne suína somou 3,47 milhões de toneladas, alta 1,75% sobre 2013.

As exportações de carne suína ao exterior devem recuar 2,4% este ano em comparação com 2013, para 505 mil toneladas. Segundo a ABPA, a receita com os embarques deve ter alta de 25%, somando US$ 1,7 bilhão, impulsionada pelos preços mais elevados da carne suína graças a escassez da oferta global. Para 2015, Vargas prevê que o volume exportado fique estável, ainda que ele não "tenha certeza absoluta de que a performance para a Rússia vai se repetir". O país representa cerca de 50% das exportações brasileiras de carne suína.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo