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Consumo de frango é recorde

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Preço alto da carne bovina, produção maior e melhora na renda da população devem levar a um consumo per capita recorde de frango este ano no país. Cálculos da Associação Brasileira dos Produtores de Pinto de Corte (Apinco) indicam uma disponibilidade interna per capita de 41,6 quilos de carne de frango no primeiro semestre. A Conab estima 41,5 quilos para 2010. No caso da carne bovina, a previsão da estatal é de 35,4 quilos per capita e da suína, de 13,9 quilos. Para chegar à disponibilidade per capita, o cálculo considera a produção total menos a exportação dividida pela população brasileira.

Em 1994, ano de lançamento do Real, quando a demanda de frango começou a ganhar fôlego no Brasil, o consumo per capita do produto era de 18,73 quilos.

“A produção [de frango] aumentou de forma significativa e a exportação ficou no mesmo volume”, observa José Carlos Godoy, secretário executivo da Apinco, referindo-se ao primeiro semestre deste ano.

No período, o Brasil produziu 5,815 milhões de toneladas de carne de frango, 12,77% mais do que no mesmo período de 2009. Exportou 1,805 milhão de toneladas, praticamente a mesma quantidade de um ano antes. Com isso, ficaram no mercado doméstico 4,010 milhões de toneladas, 19,73% mais do que em igual semestre de 2009.

Neste ano, em que a demanda está aquecida, a disponibilidade per capita é sinônimo de consumo per capita, mas não foi assim em 2009, quando houve formação de estoques. “Não há estoques no mercado este ano”, diz Godoy.

A ausência de estoques indica que há demanda, mas a elevação dos preços da carne bovina é, sem dúvida, uma das maiores razões para o incremento do consumo do frango no país. É difícil estimar a dimensão do fenômeno, mas especialistas concordam que há migração da carne bovina para o frango.

A alta da carne bovina reflete a menor oferta de bois para abate no mercado nacional em razão do descarte de matrizes há cerca de quatro anos. Com isso, desde o início do ano, a arroba do boi já subiu 22%, para R$ 93 no mercado de São Paulo, segundo a Scot Consultoria. No atacado, o corte de traseiro avulso subiu 16,6%, para R$ 7,70 o quilo e o de dianteiro, que concorre diretamente com o frango, quase 40%, para R$ 4,60 o quilo.

Proteína tradicionalmente mais barata e cuja produção reage com rapidez à demanda, o frango também subiu de forma expressiva, “contaminado” pelo boi. O quilo da ave viva subiu 18,75% em São Paulo desde o começo do ano – estava em R$ acomplia in usa 1,90 na sexta-feira, mas já havia alcançado R$ 2,00 no fim de setembro, segundo a Jox Assessoria Agropecuária. Já a ave abatida, no médio atacado paulista, teve alta de 16,3% desde o início de 2010, para R$ 2,85 o quilo.

“O frango é uma boa barganha. E cada vez que o consumo aumenta por causa da alta online pharmacy without a prescription da carne bovina, o frango ganha mais adeptos entre os mais jovens”, afirma Oto Xavier, da Jox.

José Vicente Ferraz, da AgraFNP, concorda que há uma migração do consumo, mas diz que esperava uma queda maior no consumo de carne bovina. Isso, no entanto, não ocorreu “porque inegavelmente está havendo aumento de renda em alguns estratos da população”, afirma.

“O consumo é bom, senão o preço da carne teria caído”, acrescenta Gabriela Tonini, da Scot. Nos cálculos da consultoria, o consumo per capita de carne bovina este ano deve ser de 37,9 quilos, pouco acima dos 37,06 quilos de 2009.

O mais favorecido com o preço elevado da carne bovina é o frango, mas a carne suína também se beneficia, ainda que de forma mais tímida. De acordo com Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) , a produção deve ficar estável este ano. Como a exportação está desestimulada (ver texto nesta página), aumenta a disponibilidade interna de carne suína, mas a demanda doméstica é boa e não há estoques, declara ele.

Fonte: Valor Econômico