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Conjuntura adversa preocupa produtores

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Com os preços internacionais dos grãos em queda e previsões que indicam os maiores custos de produção da história para a próxima safra (2015/16), muitos agricultores já elaboram estratégias para garantir que a conta feche no novo ciclo. Conforme produtores que participaram de evento promovido pela Bayer CropScience em Washington, na semana passada, entre as alternativas estão reduzir o uso de insumos, especialmente adubos, e mesmo a área semeada, depois de praticamente uma década de expansão.

Livio José Andrighetti, por exemplo, está disposto à saída mais drástica. Com fazenda em Mato Grosso, ele planeja reduzir o plantio de soja de 38 mil hectares, em 2014/15, para 30 mil em 2015/16, cujo plantio começará em setembro. "Na área que ficar vamos colocar pastagem, aproveitando o bom momento da pecuária, ou vamos deixar parado".

Embora tenha um endividamento pequeno – em torno de 5% do patrimônio líquido -, Andrighetti não crê que nos próximos quatro a cinco anos os preços voltarão a oferecer a rentabilidade dos últimos ciclos. "Assim, estamos buscando o mínimo de custo possível, para perder menos". Ele não descarta diminuir mais a semeadura no curto prazo, priorizando áreas mais produtivas.

Levantamento realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que serão necessários R$ 2.919,48 para implantar um hectare de soja transgênica no Estado este ano, um aumento de 21% em relação ao ciclo passado.

A SLC Agrícola, uma das maiores companhias de produção agrícola do país, ainda não oficializou suas intenções de plantio para 2015/16. Mas Aurélio Pavinato, CEO da empresa, estima que os custos de produção da SLC serão mais elevados que na safra passada, mas menos que a média dos demais produtores. "Por isso, não estamos preocupados".

Nos últimos anos, a empresa veio trabalhando para alcançar um sistema de produção o mais econômico possível- beneficiando-se, inclusive, da possibilidade que tem sido recorrentemente usada por muitos produtores de reduzir o uso de fertilizantes na soja plantada depois do algodão (a fibra é mais exigente em adubação e ‘deixa’ para a oleaginosa um solo mais fértil).

"De modo geral, pode-se até usar um pouco menos de adubação, mas reduzir os custos em sementes e defensivos é mais difícil. A semente mais cara [transgênica de alta tecnologia] é a que também ajuda a economizar nos defensivos". Para Pavinato, outra alternativa é negociar mais os preços dos insumos com os fornecedores. "Essas empresas também devem colaborar para ajustar seus custos, e automaticamente, seus preços".

De acordo com Celestino Zanella, produtor em Barreiras, no oeste da Bahia, o momento atual reforça a importância de dar atenção a um manejo mais adequado. "Defendo que não se faça economia ‘tirando’, mas se tornando mais eficiente", diz. Há poucos anos, lembra, fazia-se controle na soja acompanhando o tamanho das lagartas nas lavouras. "Atualmente, fazemos monitoramento de borboletas nas armadilhas. E é assim, melhorando o diagnóstico, que aplicaremos o melhor remédio [defensivo], e da maneira correta".

Fonte: Valor | Por Mariana Caetano | De Washington