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Conjuntura adversa atrapalha tratativas

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Depois de a Vale ter anunciado esta semana parceria com a japonesa Mitsui na área de carvão em Moçambique, as expectativas do mercado voltam-se agora para um possível acordo, em 2015, no segmento de fertilizantes. A mineradora brasileira tem ativos de potássio e de rocha fosfática no Brasil, Peru e Canadá que podem atrair o interesse de investidores. Exatamente há um ano a Vale confirmou que queria abrir participação para sócios nesse segmento. A transação poderia ocorrer tanto na holding que controla o negócio, a antiga Vale Fertilizantes, ou em projetos específicos como o da mina de potássio de Kronau, no Canadá.

Em recente apresentação para investidores em Nova York, o diretor-executivo de fertilizantes e carvão da Vale, Roger Downey, disse que Kronau é um dos ativos que podem ser alvo de parceria. A Vale admite ser co-controladora ou até ter participação minoritária no projeto. Mediante acordo com um sócio, a mineradora pode atrair financiamento na modalidade "project finance" e tirar dívidas do projeto do balanço da companhia, algo semelhante ao que anunciou com a Mitsui no carvão. No projeto de rocha fosfática de Bayóvar, no Peru, a Vale atua em sociedade com Mitsui e Mosaic. Esse tipo de parceria é o modelo pensado pela Vale para crescer nos fertilizantes.

As discussões se tornaram mais difíceis, porém, com o momento vivido pela mineração, que enfrenta reduções de receita por força da forte queda nos preços do minério de ferro e também do carvão. Mesmo assim, a Vale continua a indicar que está trabalhando "intensamente" para chegar a um acordo com parceiros estratégicos nos fertilizantes, como disse esta semana o presidente da companhia, Murilo Ferreira. A demora em definir o futuro da Vale nos fertilizantes pode ser explicada, em parte, porque nos últimos 12 meses a diretoria de fertilizantes e carvão, sob o comando de Downey, concentrou esforços em fechar o acordo no carvão, finalmente selado. A Vale afirmou mais de uma vez que as negociações nos fertilizantes estavam um passo atrás, em termos de cronograma, em relação ao carvão.

Aos investidores, Downey reconheceu que a contribuição dos fertilizantes para os negócios totais da Vale ainda é pequena, mas disse ver potencial de crescimento. Dados do balanço da companhia, no terceiro trimestre deste ano, mostram que os fertilizantes registraram receita bruta de R$ 1,7 bilhão, 8,1% da receita global da Vale no período, de R$ 21 bilhões. O minério de ferro respondeu por 64,1% da receita, os metais básicos por 23,1% e o carvão por 2,2%. Downey acrescentou que a Vale vem fazendo o "dever de casa" nos fertilizantes frente a um cenário desafiador para a mineração, mas reconheceu que há longo caminho pela frente.

A Vale tem vendido ativos não prioritários nos fertilizantes como a planta de nitrogênio de Araucária e a Fosbrasil. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, por unanimidade, a venda, pela Vale Fertilizantes S.A., de 44,25% do capital da Fosbrasil para a Bromisa Industrial e Comercial Ltda., pertencente ao grupo Israel Corporation, dono da Israel Chemicals Ltd (ICL). Mas a operação foi condicionada ao cumprimento de acordo em controle de concentração (ACC), segundo informado ontem.

Outra decisão da Vale foi suspender o projeto de potássio de Rio Colorado, na Argentina, o que a levou fazer uma baixa contábil de R$ 5,4 bilhões no balanço do quarto trimestre de 2013. No Brasil, o projeto de potássio de Carnalita, em Sergipe, encontra-se em estágio de avanço na engenharia detalhada, segundo a Vale.

Na área comercial e operacional, a Vale reduziu de 11 para seis o número de produtos fosfatados, mantendo participação de mercado, disse Downey aos investidores. Ele mostrou que em 2013 e 2014 a empresa deve economizar US$ 252 milhões na área de fertilizantes em termos de melhoria do lucro, antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda).

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Fonte: Valor | Por Francisco Góes | Do Rio