Confinamentos caíram 5% no ano

Os elevados preços para a aquisição de boi magro e o impacto da alta do dólar sobre as cotações do milho no mercado doméstico frustraram a expectativa dos pecuaristas que tinham a intenção de engordar bovinos no sistema intensivo – os chamados confinamentos.

De acordo com estimativa da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), o número de bovinos confinados no Brasil atingiu 3,952 milhões de cabeças em 2015, uma redução de 5% em relação ao ano passado (4,16 milhões). O total representa cerca de 10% dos abates de bovinos no Brasil.

A projeção da entidade é uma extrapolação feita a partir do último levantamento de intenção de confinamento feito pela Assocon junto a seus associados. Considerando apenas os associados, 731 mil cabeças foram confinadas em 2015.

De acordo com o gerente-executivo da Assocon, Bruno Andrade, a queda do número de animais confinados neste ano representa uma completa reversão da expectativa que a entidade tinha inicialmente, de aumento de 5%.

Considerado o principal impeditivo para a atividade de confinamentos neste ano, os preços altos do boi magro – o animal é responsável por cerca de 60% dos custos de produção – já eram esperados pelos analistas, dado o atual ciclo da pecuária bovina, de oferta mais apertada. Com a demanda externa por milho do Brasil aquecida, a ração animal também passou a afetar a intenção dos pecuaristas.

Assim como o boi magro, a ração também representa uma fatia importante dos custos de produção dos confinamentos. Pelos cálculos de gerente-executivo da Assocon, a dieta dos bovinos responde por entre 25% e 30% dos custos. Com alta do milho, os pecuaristas também foram desestimulados.

Na avaliação de Andrade, os preços "impeditivos" do boi magro atingiram em cheio os grandes confinamentos – os que possuem capacidade estática para mais de 5 mil bois. A questão é que os grandes são mais dependentes das compras de boi magro e também das parcerias de "boitel", prática em que o pecuarista paga uma diária para colocar seu animal no confinamento.

Por outro lado, os pequenos confinamentos praticamente não foram afetados, disse Andrade. Diferentemente dos grandes, os pequenos trabalham com ciclo completo – com produção de bezerros – e, portanto, já contam com boi magro.

Para 2016, a expectativa preliminar é que o número de bovinos confinados registre nova queda. "Existe receio sobre os custos de produção e sobre as exportações de carne", disse o gerente da Assocon.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
Fonte : Valor