Concentração no segmento deve continuar

Muitas das companhias estrangeiras, outrora consolidadoras, não deverão continuar com apetite para aquisições nos próximos anos, tendo em vista as perdas expressivas que vêm amargando. No entanto, o movimento de concentração no segmento sucroalcooleiro, pulverizado em mais de 200 companhias no país, deverá continuar e se intensificar na medida em que o etanol e o açúcar saírem do longo ciclo de baixa em que se encontram e passarem a viver uma nova trajetória de valorizações.

Alguns novos interessados despontam neste momento como consolidadores. Entre eles estão as gestoras Black River e Brookfield, que avaliam no momento as usinas do Grupo Ruette, postas à venda em abril pelos credores. Investidores com esse perfil olham ainda outras sucroalcooleiras que estão na vitrine, tais como a Renuka do Brasil, controlada pela indiana Shree Renuka Sugars, e o Grupo Virgolino de Oliveira.

No grupo de potenciais consolidadores, segundo especialistas, ainda estão múltis que entraram comprando poucos ativos no Brasil para percorrer uma "curva de aprendizagem" em especial na área agrícola, que traz uma complexidade operacional pouco dominada pelas companhias estrangeiras que entraram no ramo – a maior parte, tradings.

Nesse grupo está, por exemplo, a gigante chinesa Cofco que, após adquirir as operações globais da Noble Agri, assumiu também as quatro usinas da asiática no Centro-Sul – que processaram no último ciclo 12,8 milhões de toneladas de cana.

Outro player que poderá dobrar sua fatia no segmento nos próximos anos é a anglo-holandesa Shell. Com 50% da Raízen Energia, maior empresa sucroalcooleira do país, a petroleira poderá, até o fim desta década, exercer o direito de compra dos 50% da sua sócia Cosan, conforme acordo firmado entre as duas companhias à época da fusão de seus ativos, em 2009. Com isso, elevaria sua participação na moagem de 30 milhões para 60 milhões de toneladas.

Conforme especialistas, diferentemente de muitas multinacionais que entraram no segmento comprando usinas em crise e com baixa eficiência, a Shell adquiriu metade da Cosan – que, apesar de não estar obtendo com os ativos sucroalcooleiros todo o retorno que gostaria, também não está tendo prejuízos.

Na lista de empresas estrangeiras com usinas e que têm potencial de compradoras no futuro, está a argentina Adecoagro. No ano que passou, concluiu seu cluster com três usinas em Mato Grosso do Sul com moagem prevista de 9 milhões de toneladas em 2015/16. Experiente na área agrícola, com cultivo de grãos e fibras na América do Sul, a companhia tem tido resultados operacionais positivos com a cana. No exercício de 2014, teve um Ebitda de US$ 153 milhões, equivalente a 71% do Ebitda total da empresa.

Também não é descartada como uma potencial consolidadora a suíça Glencore. Não que a empresa não tenha também registrado um passivo decorrente da única usina que adquiriu no país. Mas em cinco ciclos, mais que dobrou sua moagem e há dois registra caixa operacional positivo com o negócio.

Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo