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Conab vê safra de 43 milhões de sacas de café

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O Brasil produziu 43,48 milhões de sacas de café em 2011, apontou ontem a quarta e última estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2011/12. Embora o volume total seja 9,6% inferior ao verificado na temporada anterior, trata-se da maior colheita da história para um ano de baixa produtividade no ciclo bianual do café.

Os números não são, contudo, objeto de consenso. Na semana passada, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou a safra brasileira em 49,2 milhões de sacas, 13,1% a mais que a previsão brasileira. A divergência entre os órgãos não é nova – nos últimos anos, manteve-se sempre na casa dos 13% – e expõe a precariedade das estatísticas sobre o café brasileiro. Somadas as últimas cinco safras, a diferença chega a 28 milhões de sacas (ou três safras colombianas).

  

Um dos responsáveis pelo levantamento de safra da Conab, Eledon Oliveira defende os números da estatal. "Nossa pesquisa envolve a ida de centenas de técnicos a campo, parcerias com órgãos estaduais, consultas a produtores, cooperativas, IBGE. Ninguém faz um trabalho semelhante", afirma.

Com apenas duas pessoas envolvidas no levantamento da safra brasileira, o USDA adota uma metodologia mais baseada em consultas a órgãos públicos (entre os quais a própria Conab) e privados (como cooperativas e tradings) do que em amostragem. "A grande diferença é que usamos o método de produção, oferta e demanda [PSD, na sigla em inglês]. Nunca estimamos um número isolado, sem levar em conta o consumo doméstico, a exportação e o estoque. A conta precisa fechar", afirma Fred Giles, chefe do escritório do USDA em São Paulo.

De fato, a produção estimada pela Conab tem ficado sistematicamente abaixo da demanda total por café. Só na safra 2010/11, a soma entre o volume de exportação e o consumo doméstico estimado pela indústria ficou próxima de 53 milhões de sacas, 5 milhões a mais do que a produção oficial, estimada em pouco mais de 48 milhões de sacas. Para Oliveira, a diferença é suprida pelos estoques da commodity.

De acordo com os dados da Organização Internacional do Café (OIC), os estoques brasileiros de café superavam as 43 milhões de sacas no início da década, volume mais do que suficiente para cobrir os déficits de produção. Em menos de 10 anos, o volume caiu para menos de 5 milhões de sacas.

"Vamos chegar ao fim da safra com os estoques praticamente esgotados", afirma Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, de comercialização de café. "Se as exportações não diminuírem sensivelmente no primeiro semestre, as contas simplesmente não vão fechar", diz. Segundo ele, é possível que haja erros tanto nas estimativas de produção e estoque quanto no consumo interno, possivelmente superestimado. "Mas não acho que sejam diferenças significativas em um país das proporções do Brasil", minimiza.

Enquanto isso, o setor se volta para a safra 2012/13. A Conab promete divulgar em janeiro a primeira estimativa oficial para a temporada. No mercado, as estimativas apontam para uma colheita recorde, da faixa de 55 milhões de sacas, mas a falta de chuvas sinaliza perdas. "Tivemos uma florada promissora, mas o desenvolvimento das lavouras foi decepcionante", afirma Lúcio Dias, superintendente da Cooxupé, maior cooperativa do país. Em meio às incertezas, o mercado da commodity segue volátil. Ontem, em Nova York, os contratos para maio caíram 280 pontos, a US$ 2,2270 por libra-peso.

Fonte: Valor | Por Gerson Freitas Jr. | De São Paulo