Conab reduz previsão para produção de grãos

Por Mariana Caetano, Bettina Barros, Cristiano Zaia e Robson Sales | De São Paulo, Brasília e Rio
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu ligeiramente sua estimativa para a safra 2015/16 de grãos no Brasil, mas a perspectiva de que a produção ainda seja recorde está mantida. Em relatório divulgado ontem, a autarquia previu uma colheita de 210,27 milhões de toneladas, aquém das 210,47 milhões apontadas em janeiro, mas acima da máxima anterior de 207,66 milhões em 2014/15.

A projeção da Conab se aproxima das 210,7 milhões de toneladas indicadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que também ontem publicou suas projeções revisadas. A estimativa do órgão diz respeito ao ano civil de 2016.

A Conab fez ajustes significativos nas projeções para soja e milho. A escassez de chuvas em Mato Grosso (Estado que lidera a produção de grãos) levou a um corte de 1,15% – 1,2 milhão de toneladas – na expectativa para a safra nacional de soja, em relação ao estimado em janeiro, para 100,93 milhões de toneladas. Ainda assim, o volume é quase 5% superior às 96,23 milhões de toneladas da oleaginosa colhidas em 2014/15.

No caso do milho, a Conab elevou sua previsão para a colheita da primeira safra – que está em curso -, de 27,76 milhões para 28,34 milhões de toneladas. Para a segunda safra (a safrinha), em fase inicial de plantio, a expectativa passou de 54,5 milhões para 54,9 milhões de toneladas. Assim, a produção total de milho deve somar 83,3 milhões de toneladas, acima das 82,3 milhões estimadas em janeiro, embora abaixo das 84,7 milhões de 2014/15.

O excesso de chuvas no Sul do país também fez a Conab reduzir marginalmente sua previsão para a safra de arroz, de 11,62 milhões para 11,47 milhões de toneladas – queda de 7,7% ante o ciclo passado. Apesar da redução, João Marcelo Intini, diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, descartou que haja preocupação com o abastecimento do produto. "O que estamos verificando é a qualidade do que vamos colher frente às condições hídricas, notadamente no arroz e no feijão", disse ontem, durante a divulgação do relatório.

Fonte : Valor