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Conab reduz estimativa de colheita no ano agrícola 2008/2009

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão oficial responsável pelo cálculo do tamanho da safra brasileira, reduziu ainda mais a estimativa de colheita no ano agrícola 2008/2009. O novo prognóstico indica que o Brasil vai produzir 134,6 milhões de toneladas de grãos neste ano agrícola, queda de 6,5% frente as 144,1 milhões de toneladas do ano passado.

Na primeira estimativa, divulgada em outubro de 2008, a Conab previa retração de 1,2%, no máximo. Em janeiro deste ano, quando foi lançada a quarta estimativa, já era considerada queda de 4,9%. Com os efeitos climáticos negativos neste começo de ano – seca prolongada na região Sul -, a Conab refez as suas contas e revisou ainda mais para baixo a estimativa para a colheita da safra de verão.

A projeção da Conab pode ser considerada otimista, afinal o próprio ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, fez uma previsão ainda mais sombria enquanto divulgava ontem a 5 Estimativa de Produção de Grãos da Conab.

Stephanes admitiu que já considera uma queda de 8% na safra, ou seja, que a produção será de 135,5 milhões de toneladas. “Mesmo com a queda projetada de 6,5%, mas que poderá chegar a 8%, ainda teremos a segunda maior safra da história do Brasil”, declarou o ministro. Stephanes alegou que, em contrapartida, há um cenário de sustentação de preços, garantindo renda para o produtor rural.

Nas primeiras estimativas, os técnicos do governo acreditavam que a crise econômica era a culpada pela retração da produção de grãos. O argumento era o de que os produtores estavam descapitalizados e não tinham dinheiro para investir na lavoura, configurando o atual período como uma safra de baixa utilização de tecnologia.

Prova disso é que, embora haja redução da produção, a área plantada aumenta 0,9%, saltando de 47,4 milhões de hectares, na safra 2007/2008, para 47,8 milhões de hectares no atual plantio.

A partir de agora há pouco espaço para mudanças radicais nas estimativas da Conab, pois as lavouras já foram cultivadas e já estão em fase de produção. Segundo Stephanes, pelo menos 5% da produção já foi colhida. Os dados divulgados ontem, resultantes de pesquisas realizadas entre 19 e 23 de janeiro, já incorporam os efeitos gerados pelos problemas climáticos.

Seca no Sul

A Conab apurou que Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina, Paraná e sul de Mato Grosso do Sul foram regiões duramente atingidas pela seca. No oeste de Santa Catarina, por exemplo, a produtividade das lavouras de milho caiu 8,1%.

“Neste purchase antibiotics online ano as condições climáticas não são muito favoráveis, ao contrário do ano passado, quando foram excepcionais”, disse Stephanes. “Desde o início colocamos que o clima seria o grande componente para representar uma safra recorde ou não para o País. Paraná teve grandes quedas em soja, feijão e milho”, disse o diretor acomplia buy online de Logística e Gestão Empresarial da Conab, Sílvio Porto. Ele disse ainda que os prognósticos indicam chuvas 40% abaixo do normal na região Sul para os próximos três meses.

Retração maior

Algodão em caroço e em pluma são as culturas com maior retração na produção (-22,3% e -22,2%, respectivamente), mas sobre esse setor já era esperada queda, tendo em vista o cenário internacional de alta oferta e baixos preços. O que preocupa o governo é a queda de 17,7 % na primeira safra de milho, a qual deve ofertar apenas 32,8 milhões de toneladas, frente 39,9 milhões de toneladas no ano passado.

Para a safrinha de milho, a previsão da Conab é por um corte de 6,8% na produção, ou seja, queda para 17,4 milhões de toneladas, contra 18,6 milhões de toneladas no ano agrícola anterior. A soja deve cair 4,7%, alcançando colheita de 57,2 milhões de toneladas; enquanto que a produção de arroz sobe 2,5%, chegando a 12,3 milhões de toneladas.

Café

Stephanes admitiu que o governo está prestando atenção sobre o setor de café, que enfrenta preços baixos, incapazes de sustentar custos de produção. O ministro espera também a recuperação de vendas de carne bovina para a União Européia, depois de uma queda de 30% nas exportações em janeiro.

Fonte: Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados – Pág. 10