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Conab eleva mais uma vez previsão para safra de grãos

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Todas as variáveis parecem estar contribuindo para que os produtores de grãos do país colham nesta safra o maior volume já registrado nas estatísticas agrícolas. O clima favorável, aliado a uma revisão positiva na área de plantio e na produtividade das sementes, levou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a elevar ontem, mais uma vez, sua estimativa para a produção nacional de grãos na safra 2016/17. Se tudo continuar como está, o Brasil fechará o ciclo com uma produção de 232,02 milhões de toneladas de grãos – 1,79% mais que o previsto em abril e 24,3% acima da safra 2015/16.

A área total de plantio deverá fechar o ciclo em 60,36 milhões de hectares, ao passo que a produtividade foi estimada em 3.844 kg/ hectare ante 3.793 kg em 2015/16.

O IBGE, que divulga no mesmo dia as suas previsões de safra, segue na mesma linha de recordes: a produção nacional de grãos deverá crescer 26,2% em 2017 frente ao ano anterior, e alcançar 233,1 milhões de toneladas.

Conforme a Conab, as colheitas de soja e milho, que juntos representam 90% dos grãos cultivados no país, devem crescer 18,4% e 39,5%, respectivamente, em relação à temporada anterior, e de 2,59% e 1,49% frente as previsões de abril. Isso significa 113,01 milhões de toneladas de soja. Para o milho, a estimativa é de produção de 92,83 milhões de toneladas, puxada pela safra de inverno, a mais representativa e ainda em desenvolvimento no Centro-Oeste.

Para o algodão, cultura com forte presença em Mato Grosso e no oeste baiano, a Conab estima uma produção de 1,48 milhão de toneladas contra 1,29 milhão de toneladas na safra anterior.

Cruciais para o mercado brasileiro, arroz e feijão também terão resultados acima dos de 2015/16. No caso do arroz, a entidade manteve sua estimativa para a produção em 11,96 milhões de toneladas neste ciclo, contra 10,6 milhões de toneladas no ciclo passado, graças à produtividade maior que compensou o recuo na área plantada. No caso do feijão, a colheita deve alcançar 3,33 milhões de toneladas nas três safras – alta de 1,52% sobre a previsão de abril e de 32,4% ante 2015/16, quando a produção foi prejudicada pelo clima seco.

Em um relatório que revisou para cima praticamente a produção de todos os grãos, a contramão ficou por conta do trigo. Segundo a Conab, a colheita do cereal somará 5,22 milhões de toneladas, menos que as 5,47 milhões de toneladas previstas em abril e que os 6,71 milhões de 2015/16. A queda é resultado da menor área de cultivo (7,8% menos) e da menor produtividade (15,8% menos). Conforme a Conab, isso decorre da queda dos preços do produto, o que desestimulou investimentos em bons tratos culturais, "e dos estoques de ótima qualidade da safra passada".

A supersafra de grãos foi comemorada pela Conab, que avaliou que os números podem subir mais, tendo em vista que algumas culturas ainda estão sendo colhidas – caso do milho safrinha e da terceira safra de feijão. "Pode ser que a safra continue crescendo porque percebemos que a segunda safra de milho, que começou a ser colhida em maio, no geral não deve sofrer com o clima", afirmou o superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, Aroldo Oliveira.

Embora positiva, a colheita recorde de grãos pode gerar problemas logísticos, já que o armazenamento e o escoamento podem ser afetados pelos grandes volumes.

 

Por Fernanda Pressinott, Bettina Barros, Cristiano Zaia e Robson Sales | De São Paulo, Brasília e Rio

Fonte : Valor