Compromisso da área de aviação demanda aportes de até R$ 5,6 bi

Prevista pelo governo federal para 2026, a entrada do Brasil no Esquema de Compensação e Redução para a Aviação Internacional (Corsia) – compromisso internacional de redução de emissões de gases de efeito estufa pela aviação – demandará investimentos em biocombustíveis que poderão variar de US$ 1,6 bilhão a US$ 5,6 bilhões. A conclusão é de um estudo conduzido pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia de Bioetanol (CTBE), apoiado pela Embraer e pela Boeing.

O Corsia obriga os países signatários a elevarem a eficiência energética de suas aeronaves em 1,5% ao ano até 2020, manter estáveis suas emissões no setor a partir de 2020 e, a partir de 2050, cortar pela metade as emissões com relação ao patamar de 2005. A regra se aplica apenas a voos internacionais.

Atualmente, os biocombustíveis para aviação só podem ser usados se misturados em até 50% com os fósseis, porque eles não garantem sozinhos a vedação de componentes internos das aeronaves.

Das três formas de produzir esses biocombustíveis, a que demandaria menos investimentos é a que utiliza o etanol como matéria-prima. A partir dele seria produzido o isobutanol e, depois, um hidrocarboneto. Essa "rota" de investimento demandaria a construção de cinco biorrefinarias, por cerca de US$ 1,5 bilhão.

Uma alternativa seria o uso do óleo de macaúba – bastante cultivado em Minas Gerais e no Ceará – para produzir o hidrocarboneto. Com o uso exclusivo dessa matéria-prima, seriam necessários US$ 1,6 bilhão para erguer três biorrefinarias.

O investimento mais caro seria para construir biorrefinarias que fariam a "gaseificação" da cana e do eucalipto – processo que transforma a matéria-prima em hidrocarbonetos através da alterações na temperatura e na pressão. Esse caminho demandaria aportes de US$ 5,6 bilhões para erguer 16 biorrefinarias – cada uma com capacidade de processar 4 milhões de toneladas de cana por ano.

A vantagem da gaseificação é que ela é a opção com a menor pegada de carbono, explica Bruno Colling Klein, analista do CTBE.

Para alcançar uma redução de 5% das emissões, a área de cultivo para abastecer uma usina de gaseificação com eucalipto e cana seria de 158 mil hectares, enquanto uma usina que utiliza óleo de soja demandaria uma expansão de área de 1,3 milhão de hectares. "A soja tem produtividade de óleo muito baixa, demanda uma área maior", explica Klein. Outra vantagem é que essas usinas também obteriam receita com a venda de etanol, oferecendo melhor retorno, diz.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor