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Compra de adubo e sementes para o plantio da safra está atrasada

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Apesar do aumento no volume de crédito, anunciado pelo governo, agricultores se queixam de dificuldades para conseguir o dinheiro.

O Ministério da Agricultura anunciou que o volume de crédito liberado pelos bancos para o custeio da safra cresceu mais de 30% em julho, na comparação com julho do ano passado. No entanto, no campo, não são poucos os agricultores que se queixam de dificuldades para conseguir o dinheiro.

Na fazenda Trombas, no município de Cabeceira Grande, Minas Gerais, a terra descansa para plantio da próxima safra de grãos em outubro. A fazenda colhe 60 mil toneladas de grãos por ano.

O produtor Paulo Ferrigolo aguardou a entrada em vigor do Plano Safra 2015/2016, em julho, para pegar financiamento no banco a juros mais baixos que o de mercado, mas o produtor foi surpreendido com as exigências dos bancos. “Agora eles pedem avalista e a gente sabe que é difícil conseguir”, lamenta o produtor.

Na propriedade vizinha, o produtor Carlos Alberto reclama de outra exigência. “Agora eles exigem hipoteca em primeiro grau de alguma propriedade nossa. A gente não sabe se o banco quer mais garantia ou dificultar o acesso a esse c redito”, diz.

José Carlos dirige uma cooperativa em Unaí, no noroeste de Minas, que tem 320 associados. “Do total encaminhado pela cooperativa este ano, apenas 25% dos pedidos foram liberados ate o momento. Nesta época do ano já deviam estar 100% dos pedidos liberados”, afirma.

O dinheiro já deveria estar na mão do produtor para a compra de insumos, como sementes e fertilizantes. É o que alerta uma cooperativa do Distrito Federal, que tem 130 grandes e médios produtores. “No ano passado, para citar como exemplo, neste período, final de agosto, 70 a 80% dos fertilizantes já estava nas fazendas aguardando o início das chuvas para começar o plantio. Este ano, em função do atraso na liberação dos financiamentos de custeio, até o presente momento a gente pode afirmar que nem 30% dos fertilizantes está nas fazendas”, explica Cláudio Marinsky, diretor técnico da Coopa-DF.

Essa semana, governo, bancos e setor produtivo se reuniram Brasília. Segundo o Banco do Brasil, que responde 65% do crédito rural, os agentes financeiros estão mais exigentes por causa da crise financeira. “Neste momento que o país atravessa é um gesto de responsabilidade de quem dirige um banco público. Nós não podemos, evidentemente, abrir mão de garantias, porque os recursos que nós estamos emprestando são boa parte deles públicos”, declara Osmar Dias, presidente do Banco do Brasil.

A ministra da Agricultura garantiu que não falta crédito no país, e que o governo vai acompanhar a liberação dos recursos. “O ministério da Fazenda, por sua vez, vai levantar por produto, porque às vezes nós estamos tendo dificuldades no produto arroz, será que é no produto café? Então por região, nessa hora não interessa, interessa produto. E nós combinamos de dar 30 dias, até o dia 30 de setembro, para ver de novo o movimento da liberação dos recursos. Algumas reclamações disseram o seguinte: os produtores diminuíram a compra de fertilizantes. É preocupante sim, mas não está diminuindo a compra de fertilizantes por causa de falta de crédito e sim pelo preço do fertilizante”, avalia Kátia Abreu, ministra da Agricultura.

Segundo a ministra, em julho foram liberados três bilhões de reais a mais do que em julho do ano passado.

Viviane NovaesCabeceira Grande – MG

Fonte : Globo