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Companhia não revela votos de conselheiros divergentes

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(Atualizada às 08:38) A JBS deveria ter divulgado o voto divergente dos conselheiros que não apoiam a permanência do empresário Wesley Batista como CEO, disse ontem o presidente da Associação de Investidores do Mercado de Capitais (Amec), Mauro Cunha.

No fato relevante divulgado na manhã de ontem, a JBS informou apenas que a "maioria do conselho de administração da companhia opina pela manutenção do sr. Wesley Batista na presidência".

Pelo teor do comunicado, não está claro quem compôs a maioria. O colegiado é composto por nove conselheiros, sendo dois independentes – Sérgio Waldrich e Norberto Fatio – e dois indicados pela BNDESPar – Claudia Santos e Maurício Luchetti. Os demais são indicados pela J&F Investimentos. Wesley Batista e o pai, José Batista Sobrinho, integram o conselho de administração da JBS.

Na avaliação do presidente da Amec, o caso abre uma discussão mais ampla no mercado de capitais, sobre o eventual conflito de interesses dos conselheiros não independentes. De certa maneira, os conselheiros que manifestaram posição favorável a Wesley foram indicados por ele próprio.

Na visão de outros críticos que acompanham o processo da JBS, o debate sobre o conflito de interesses também se estende ao voto da FB Participações, veículo por meio do qual a J&F controla a JBS, na assembleia. O argumento é que os irmãos Batista não poderiam votar se ingressam ou não com ação contra eles mesmos.

Do outro lado, fontes próximas à JBS contestam essa visão. "Como vão impedir eles de votaram se não foi eles que propuseram esse debate?", indagou uma das fontes, que disse ser difícil juridicamente limitar a manifestação política da J&F, que possui pouco mais de 40% das ações da companhia de alimentos. Sendo assim, as chances do BNDESPar seriam menores, especialmente porque as assembleias da JBS não costumam contar a presença de 100% dos acionistas, disseram.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor