Commodities pressionam redução das exportações

Estado vendeu US$ 1,6 bilhão para fora do País no mês de maio

Adriana Lampert

MATEUS BRUXEL/ARQUIVO/JC

Vendas de soja em grão representaram US$ 270,7 milhões a menos

Vendas de soja em grão representaram US$ 270,7 milhões a menos

As exportações gaúchas obtiveram menor desempenho em maio (US$ 1,6 bilhão), com a perda de US$ 392,5 milhões em vendas frente ao mesmo mês do ano anterior. Ainda assim, o Rio Grande do Sul ocupou a terceira posição no ranking nacional, com uma participação de 9,44% no comércio exterior do País, ficando atrás de São Paulo (22,79%) e Minas Gerais (10,57%). Os dados são da Fundação de Economia e Estatística (FEE) do Estado.
A queda acentuada dos preços das commodities agrícolas e minerais em nível mundial vem interferindo no valor exportado por países emergentes, que dependem principalmente da venda de produção primária. Neste grupo está o Brasil, que em maio vendeu US$ 16,7 bilhões para o exterior, seguindo uma sequência de resultados enfraquecidos ao longo dos primeiros meses do ano. Em maio, o decréscimo das exportações no País foi de US$ 4 bilhões, com -19,2% em valor e -23,7% em preços, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, apesar do crescimento de 5,9% em volume.
"Com a desaceleração da economia chinesa, os preços das commodities, que estavam superestimados, vêm se readequando desde 2011", observa opesquisador da FEE, Tomás Torezani, referindo-se ao principal comprador da soja gaúcha. "Isso explica por que, em todos os estados do País, os valores exportados diminuíram, uma vez que a China se mantém como o destino líder do comércio exterior brasileiro." Segundo o técnico, ainda que em queda, os resultados do cenário de exportações em níveis nacional e estadual se mantêm em patamar elevado quando comparados ao início dos anos 2000.
Outro fator que contribuiu para um menor valor exportado foram os custos dos insumos para a indústria, que estão mais caros, pontua Torezani. "Além disso, a desvalorização do câmbio ainda não afetou positivamente as exportações", completa o pesquisador da FEE. Ele aponta ainda problemas de embarque, causados pelo excesso de chuvas e paradas técnicas no mês de maio, que interferiram na logística das vendas para o exterior. "Fato é que, mesmo com a superssafra deste ano, a saída de soja do País foi menor do que a habitual deste período", comenta Torezani, lembrando que o volume retido do produto deve ser escoado nos próximos meses.
No mês, a redução das exportações da agropecuária gaúcha foi de US$ 287,7 milhões, representando -34,3% em valor, -9,9% em volume e -27,1% em preços, em relação a maio do ano passado. Somente as vendas do grão de soja representaram US$ 270,7 milhões a menos (-11,4% em volume e -25,6% em preços). Também a indústria de transformação sofreu queda de US$ 102,3 milhões (-9,2% em valor, 12,5% em volume e -19,3% em preços), sendo que as principais baixas foram nos segmentos de derivados de petróleo (-US$ 86,8 milhões), veículos automotores (-US$ 31 milhões) e máquinas e equipamentos (-US$ 23 milhões). No setores de químicos, produtos alimentícios e fumo, os resultados foram positivos, com aumentos de US$ 29,4 milhões, US$ 19,2 milhões e US$ 19,4 milhões, respectivamente.
Já em relação aos primeiros cinco meses do ano, as exportações do Rio Grande do Sul acumularam US$ 6,3 bilhões. Em relação ao mesmo período anterior, houve um decréscimo de US$ 579,3 milhões, resultando em queda (de -8,4%) inferior à registrada no País (-17,1%). "Essa redução também foi fruto da queda nos preços (-17,1%), uma vez que, no período, houve um crescimento no volume físico exportado (10,4%), valor esse superior ao observado nacionalmente (2,9$), conclui Torezani.

Fonte: Jornal do Comércio |