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Commodities de exportação reagem em NY e Chicago

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Após meses de retração, as cotações das commodities agrícolas mais exportadas pelo país encerraram julho com médias mensais mais elevadas que em junho nas principais bolsas americanas, de acordo com cálculos do Valor Data baseados nos contratos futuros de segunda posição de entrega, normalmente os de maior liquidez.

Em Nova York, fatores relacionados ao mercado brasileiro interromperam uma sequência de quedas de açúcar e café iniciada no início do ano; em Chicago soja e milho reagiram a problemas climáticos localizados em regiões produtoras dos EUA e também subiram. Dos quatro produtos, porém, apenas o milho fechou o mês passado com preço médio superior ao de julho de 2016.

Segundo o Valor Data, a alta do açúcar foi de 8,01%, impulsionada pelo aumento da tributação sobre o etanol no Brasil – que, teoricamente, incentiva o incremento da produção do biocombustível em detrimento do adoçante por parte das usinas do país. Mesmo assim, o patamar médio mensal alcançado foi apenas o segundo maior deste ano, 25,47% inferior ao de julho do ano passado.

O roteiro do café foi semelhante. Após sucessivas baixas desde janeiro, a commodity encerrou julho com preço médio 5,95% superior ao de junho em Nova York, sob a influência de reflexos da onda de frio no Brasil, mas ainda em queda de 8,7% na comparação com a média mensal de um ano atrás.

O baixo nível das cotações de açúcar e café abriu espaço aos fundamentos, mas o câmbio também impulsionou os ganhos observados. O dólar comercial atingiu, em julho, a média de R$ 3,2010, ante R$ 3,2970 em junho, e a oscilação tornou as exportações menos remuneradoras – um dado "negativo" para a oferta global, já que o Brasil lidera os embarques das duas commodities.

Mesmo assim, o suco de laranja, cujas exportações também são lideradas pelo Brasil, não escapou da quarta queda mensal consecutiva em julho em Nova York (2,19% sobre junho), onde os preços dos papéis de segunda posição registraram o menor nível desde março de 2016. Ocorre que a oferta brasileira segue em franca recomposição após a crise do ano passado, e a demanda mundial, fraca, não serve de contra-peso.

Em Chicago, as atenções dos traders de grãos estiveram focadas no desenvolvimento das lavouras americanas plantadas no ciclo 2017/18, e intempéries pontuais colaboraram para as altas de 7,62% do preço médio da soja e de 2,38% do milho.

Ainda que a soja tenha continuado a variar abaixo de US$ 10 por bushel em julho, uma importante "barreira psicológica" desse mercado, e tenha fechado o mês com média 5,26% mais baixa que a de julho de 2016, no mercado de milho a alta na mesma comparação chegou a 11,77%. O Brasil é o maior exportador de soja do mundo e ocupa a segunda posição no ranking do milho. (Colaborou Bettina Barros)

Por Fernando Lopes, Cleyton Vilarino e Fernanda Pressinott | De São Paulo

Fonte : Valor