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Comercialização de soja atrasada no RS

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O mercado de soja do Rio Grande do Sul está parado há pelo menos dez dias. Nada se vende, nada se compra. O fenômeno, segundo o superintendente comercial da Cotrijal, Jairo Marcos Kohlrausch, é atribuído ao fato de que a expectativa era que a saca de 60 quilos atingisse R$ 70,00, a exemplo do pico observado em setembro de 2012, pelo efeito da seca. Mas o bom clima observado nos Estados Unidos representou um banho de água fria nas expectativas dos gaúchos. Nas últimas duas semanas, a cotação da saca recuou de R$ 65,00 para R$ 59,00, em média, no Estado. Para Kohlrausch, com uma queda de R$ 2,00 ainda existiria negociação, mas ninguém consegue assimilar a perda sentida. O consultor Carlos Cogo atribui a estagnação a mais dois fatores: o sojicultor está capitalizado e, o mercado no exterior, em queda. ‘Os negócios para abril estão no patamar de 12,50 dólares por bushel, ao passo que, em igual período do ano passado, sinalizava valor de até 17 dólares’, explica.

O efeito é sentido tanto na comercialização dos grãos da safra 2012/13 quanto na venda antecipada da safra 2013/2014. No mesmo período do ano passado, 35% da produção gaúcha de soja já havia sido comprometida, numa variação de preço entre R$ 50,00 e R$ 65,00/sc. Neste ano, com 10% negociados, os preços partiram de R$ 55,00, mas pararam em R$ 60,00 e recuaram. O efeito também atingiu o mercado físico. Estima-se que 40% do volume colhido no Estado na safra passada (12,5 milhões de toneladas, de acordo com a Conab) esteja ainda com os produtores.

Para o executivo da Cotrijal, o sojicultor precisa se acostumar a fazer a média de comercialização em detrimento de apostar apenas nos picos e, quando vender antecipadamente, contabilizar quanto deverá comprometer com o custeio. ‘Na média, o produtor desembolsa 20 sacas por hectare, o que significa que ele deve vender 30% da safra quando vale a pena.’ O fato é que a dita ‘média’ está cada vez mais ‘estratosférica’. ‘Há alguns anos, o agricultor buscava o patamar de R$ 50,00 a saca. Hoje, qual é?’, pondera Kohlrausch, que lembra que nesta safra o custeio está 20% mais caro em relação a 2012/13.

Fonte: Correio do Povo