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COMERCIALIZAÇÃO – Analista da AgRural critica baixa venda antecipada de soja

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Expodireto 2017
Na foto : e/d : Claudio Brazamarello, Kauê,Delcio Brazamarello e Antonio Canali

Claudio Brazamarello (de chapéu) com familiares lamenta não ter vendido antes fatia maior da lavoura

O agricultor de Coxilha Claudio Bruzamarello não escondeu nesta terça-feira (7), na Expodireto em Não-Me-Toque, a decepção por ter errado na decisão de comercialização antecipada da sua lavoura de 80 hectares, 80% de soja. "Vendi 20%, deveria ter vendido 80%!", reagiu Bruzamarello, nesta terça-feira (7), enquanto se refugiava sob um guarda-sol no parque da Cotrijal. Sombra é tudo que os visitantes buscam quando chega o meio-dia na feira.

Os preços estão bem mais baixos na véspera da maior safra da história do Estado, segundo dados divulgados pela Emater-RS. A saca está a R$ 60,00, bem diferente de valores acima de R$ 70,00 em alguns mercados. "Falavam que ia ter estiagem, no fim o clima mudou, e ajudou e terá boa safra", completa o agricultor, que vai colher mais de 60 sacas por hectare.

A situação vivida pelo gaúcho se enquadra direitinho no puxou de orelha que Fernando Muraro, analista de mercado da AgRural Commodities Agrícolas, deu para a plateia que participava do Fórum Nacional da Soja, que discutiu o futuro do mercado e da cultura. "A primeira e grande lição do mercado é a seguinte: uma parte da safra sempre tem de ser antecipada antecipada. Para fugir desse buraco da baixa de preços em março e abril", recomenda Muraro.

Ele sugere que o produtor venda, pelo menos, um terço do que espera colher. Sobre o melhor momento, depende da "oportunidade". "O mercado sempre oferece oportunidade durante o ano. Em 2016, a oscilação chegou a R$ 20,00 por saca. Em 10 mil sacas, são R$ 200 mil, em 200 mil sacas são R$ 4 milhões. É um absurdo", atenta o analista.   

Quem não fez isso, como Brazamarello, deve "fechar o olho e prender o nariz", ou seja, segurar a onda com a já dada como certa maior queda dos preços, abaixo de R$ 60,00 a saca, avisou Muraro. O analista avalia que o comportamentos dos produtores é efeito de três anos seguidos de se-safras muito boas e sem estiagem no Rio Grande do Sul. "A tomada de decisão do produtor capitalizado é sempre mais difícil, vai prorrogando e prorrogando", opina sobre a baixa venda antes da colheita.

O problema é que a definição de preços hoje está nas mãos da ciranda do mercado financeiro. "É um cassino", alerta. O efeito ainda é que quem não antecipou, aproveitando preços melhores, terá menor rentabilidade. Até porque o custo carrega um câmbio mais desfavorável quando houve a compra de insumos para formar a nova lavoura em 2016. O analisa dá ainda um argumento derradeiro sobre a cultura local menos aderente a contratos no mercado.

A safra nem começou a ser colhida, e as diferenças de frete do Planalto gaúcho para o Porto do Rio Grande já são as mais altas da história. Trata-se de um efeito da lei da oferta e demanda (por transporte), que cresce em março e abril devido à colheita. "Qualquer ganho de preço do grão em Chicago é neutralizado pelo efeito doméstico", conclui o especialista, que foi um dos palestrantes do Fórum Nacional da Soja, que ocorreu na Expodireto.

Sobre o futuro dos preços da soja, Muraro acredita que os valores devem cair mais, após precificação do grão. "A formação de preço pressupõe queda no mercado internacional e valorização em reais. O real tem importante papel na formação de preço. Nos próximos 60 dias, vamos ter os piores preços do ano", previne. "Abaixo de R$ 60,00 a saca."

MARCO QUINTANA/JC

Patrícia Comunello

Fonte : Jornal do Comércio