Comando da OIC poderá ficar com outro brasileiro

A Organização Internacional do Café (OIC) se prepara para eleger hoje seu novo diretor-executivo, que poderá ser o brasileiro José Sette, indicado por Brasília. A disputa, no entanto, está acirrada, com candidatos de México, Peru e Suíça, conforme uma fonte do Itamaraty. A Indonésia também havia lançado um candidato, mas saiu do páreo na quarta-feira.

O fato inédito de um país consumidor de café lançar um candidato – caso da Suíça, representada pelo diplomata de carreira Remigi Winzap -, ainda provoca um certo "estresse", segundo a fonte, mas isso não significa que ele não tenha chances. Mas tudo indica que o cargo ficará entre Sette e o mexicano Rodolfo Trampe Taubert, que disputou o cargo em 2010 e perdeu para o brasileiro Robério Silva – que faleceu no fim do ano passado. Desde então, a OIC está com o cargo de diretor-executivo vago.

Os atuais postulantes à cadeira estão sendo sabatinados na OIC desde segunda-feira. E hoje, último dia do processo, a presidência do conselho da entidade, atualmente representada pelos EUA, finalizará as consultas aos 77 países-membros para eliminar os menos votados e afunilar a disputa, como de praxe.

Ganha o candidato que obtiver apoio de 70% dos países produtores e 70% dos países consumidores, como mandam as regras da entidade. O Brasil é o país que mais ocupou a diretoria executiva da OIC na história da entidade, e Brasília avalia que Sette é o candidato mais qualificado na atual corrida. Atualmente, o brasileiro é diretor-executivo do Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC), com sede em Washington, mas tem sua trajetória ligada ao café.

Sette, que tem 61 anos, é graduado em Administração pela universidade americana de Yale. Foi dirigente dos extintos Instituto Brasileiro do Café (IBC) e Associação Brasileira dos Exportadores de Café nos anos 1980, e atuou como trader no mercado de café. Também teve uma passagem pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Na própria OIC, já ocupou cargos administrativos e chegou a assumir interinamente a diretoria executiva, há sete anos, antes do início do primeiro mandato de Robério Silva, em 2011.

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor