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Com outra aquisição, Cargill avança em ração para peixes

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A Cargill, maior empresa de agronegócios do mundo, anunciou ontem a aquisição da norueguesa EWOS, que produz ração para salmão. Fechada por US$ 1,5 bilhão, a compra é a segunda maior da história de 150 anos da multinacional americana e marca sua entrada em mais uma área de um segmento que está em expansão em seu portfólio, que é a aquicultura.

Com o negócio, a empresa americana assumirá sete fábricas estrategicamente localizadas nos principais mercados globais de criação de salmão (Canadá, Noruega, Chile e Escócia) e também no Vietnã, onde o portfólio da EWOS é concentrado em tilápias. No total, a companhia norueguesa produziu 1,2 milhão de toneladas de ração em 2014.

Segundo Gorjan Nikolik, analista-sênior do Rabobank International, a Cargill se posiciona, dessa forma, entre os três maiores fabricantes de ração para aquicultura do mundo – e chega "muito perto" da Skretting, controlada pela holandesa Nutreco, a "número 1" em nutrição voltada à aquicultura.

A tacada da Cargill segue em linha com o crescimento do consumo mundial de peixes criados em cativeiro, que em 2014 superou o de espécies da pesca extrativa pela primeira vez, segundo a FAO, agência da ONU. A criação de salmão cresceu mais de 30% em cinco anos, para 2,5 milhões de toneladas.

"O investimento nesta transação foi estratégico e prova nosso comprometimento com a aquicultura", afirmou, em comunicado, o CEO global da Cargill, David MacLennan. A múlti já tem fábricas de nutrição para peixes na Índia e na China e anunciou, em junho, uma joint venture de US$ 30 milhões com a Naturisa para a construção de uma unidade de ração para camarão no Equador. Em 2011, havia comprado, por US$ 2 bilhões, a Provimi, e depois mostrou interesse pela líder Nutreco, embora não tenha oficializado uma proposta pela empresa.

Por Bettina Barros | De São Paulo
Fonte : Valor