Com atraso, socorro chega a pecuaristas do semiárido

Carregamento emergencial de milho segue ao semiárido pela Transnordestina

Mais de dois meses após a data prometida, os produtores rurais do semiárido cearense começaram a receber os carregamentos emergenciais de milho doados pelo governo federal.

O socorro pretende amenizar os efeitos da seca sobre a oferta de alimento aos rebanhos de bovinos, ovinos e caprinos da região.

As cerca de 30 mil toneladas do grão são distribuídas a partir do Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante (60 quilômetros de Fortaleza) por meio de caminhões e também por um ramal da ferrovia Transnordestina.

Quando a reportagem de Globo Rural visitou o porto, na última sexta-feira (26), dezenas de trabalhadores carregavam com sacas de 60 quilos os 18 vagões do trem que partiria em direção a Sobral.

A primeira carga, de 123 toneladas, já havia sido despachada de caminhão no início da semana em direção aos municípios de Canindé, Paramoti, Itatira e Caridade.

Na quarta-feira (26), partiu o primeiro trem levando 514 toneladas para Quixeramobim. De lá, parte da carga seria destinada aos municípios de Madalena e Boa Viagem.

“Temos o compromisso do Governo Federal de enviar ao Estado 60 mil toneladas de milho a cada 60 dias e assim, esperamos até o final do ano que todos os municípios sejam abastecidos com alimento para o rebanho”, disse o secretário Nelson Martins (Desenvolvimento Agrário), em nota.

Carga é preparada e enviada a partir do Porto do Pecém

De acordo com a secretaria, a saca de 60 quilos chegará aos produtores custando R$ 18,20 (agricultores familiares) e R$ 21,00 (outros produtores). O dinheiro arrecadado, segundo o governo, irá custear projetos de produção de forragens.

“Só poderá comprar o milho o produtor que estiver em dia com a vacinação do rebanho contra a febre aftosa”, afirmou o secretário.

A demora na chegada da ajuda foi atribuída ao fracasso em pregões realizados pela Conab para a compra do milho. O atraso custou caro a muitos produtores.

“Enquanto esperava, perdi parte do gado e, sem outro jeito, tive que vender o rebanho quase de graça. O prejuízo é de chorar”, lamentou José Vital, morador da zona rural de Tauá (CE).

(Texto: Rodrigo Vargas / Foto: Marcelo Curia/Ed. Globo – de Fortaleza/CE)

Fonte: Globo Rural