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Com adesão ao Refis, lucro da JBS caiu 64% no 3º trimestre

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A adesão da JBS ao Programa Especial de Regularização Tributária – o chamado Refis – fez o lucro da empresa recuar no terceiro trimestre deste ano, apesar do desempenho operacional recorde no período.

No terceiro trimestre do ano, o lucro líquido da JBS somou R$ 323 milhões, queda de 63,6% ante os R$ 887 milhões do mesmo intervalo de 2016. Não fosse o Refis, o lucro da JBS teria mais do que dobrado, atingindo R$ 1,9 bilhão, informou ontem a empresa. No período, a receita líquida da JBS ficou praticamente estável – leve queda de 0,1% -, em R$ 41,1 bilhões.

No front operacional, os EUA só trouxeram boas notícias para a JBS, com redução de custos na compra de matéria-prima (gado bovino, sobretudo) e demanda aquecida por carne. Com isso, a margem do negócio de carne bovina da JBS USA, que contempla as operações na Austrália e Canadá, alcançou o maior nível da história da companhia, que está há dez anos no mercado americano.

Nesse cenário, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da JBS atingiu o recorde de R$ 4,3 bilhões no terceiro trimestre. Na comparação com o mesmo intervalo de 2016, quando o Ebitda somou R$ 3,1 bilhões, o aumento foi de 37,4%. A margem Ebitda cresceu quase três pontos percentuais, saindo de 7,6% para 10,5%.

"Como já havia dito, está só no começo", afirmou, em entrevista ao Valor, o CEO da JBS USA, André Nogueira. À frente de negócios que respondem por 75% das vendas da JBS, o executivo acredita que, em 2018, as operações americanas devem bater novo recorde, uma vez que a demanda por carne deve seguir aquecida nos EUA, ao passo que o preço do boi cairá de 2% a 3%, de acordo com as projeções do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Além disso, o negócio na Austrália, que ainda enfrenta um cenário mais difícil devido à retenção do rebanho bovino, deve melhorar ao longo de 2018, ressaltou Nogueira.

Afora os fundamentos positivos de oferta e demanda previstos para 2018, a JBS também vislumbra ganhos de eficiência nas operações internacionais. "Ainda temos uns US$ 500 milhoes de melhoria interna [para realizar]", disse Nogueira.

No Brasil, o terceiro trimestre consolidou a recuperação da Seara, subsidiária que foi bastante afetada em 2016 pelo milho mais caro. Entre julho e setembro, a margem Ebitda da Seara atingiu 11,1%, ante os 7,3% vistos em igual intervalo de 2016.

Ao Valor, o presidente global de operações da JBS, Gilberto Tomazoni, ressaltou que a Seara voltou ao mercado publicitário, com inserções na TV. O marketing da Seara estava retraído ao menos desde a Operação Carne Fraca, comportamento que se manteve após a delação dos irmãos Batista. "E a Seara voltou a ganhar ‘market share", comemorou Tomazoni, citando o aumento de 2,5% nas vendas de alimentos processados da subsidiária.

Na contramão da Seara, o negócio de bovinos no Brasil confirmou as estimativas pessimistas do mercado. No terceiro trimestre, o Ebitda da divisão totalizou R$ 72,5 milhões, redução de 78,6%. A margem Ebitda foi de apenas 1,4%, ante 5% no mesmo período de 2016.

Dentre todas as operações da JBS, a de carne bovina no Brasil foi a mais afetada pela delação dos controladores da empresa, gerando resistência nos pecuaristas e forte queda nas vendas – 31,4% no Brasil e 13,7% na exportações. Questionado, Tomazoni disse que pior momento já passou e que uma recuperação "gradual" está em curso. Ele ponderou que o negócio no Brasil só é responsável por 12% da JBS. "Essa é a vantagem de ter uma empresa diversificada", disse.

Na área financeira, a robusta geração de caixa e as vendas da Moy Park e dos ativos no Mercosul permitiram uma redução de R$ 4,8 bilhões na dívida líquida. O índice de alavancagem caiu de 4,16 vezes em junho para 3,42 vezes em setembro. É a menor alavancagem entre as companhias de carnes listadas na B3.

O processo de desalavancagem seguiu neste trimestre, com a entrada de R$ 786 milhões da venda da Vigor à Lala. Além disso, o CEO da JBS USA espera anunciar ainda este ano a venda da Five River, nos EUA.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor