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Colheita está atrasada e produção será menor

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Fonte: Gazeta Digital

Colheita do milho em Mato Grosso começa com atraso em relação à safra 2009/2010. Até agora foram colhidos 87,605 mil hectares, equivalente a 5% da área plantada de 1,752 milhão (ha). Ano passado, no mesmo período, 483,108 mil hectares haviam sido colhidos, o que representava 24,8% dos 1,948 milhão (ha) plantados.

Neste ano, além da perda de área cultivada houve atraso devido às chuvas na colheita da soja que implicou no plantio tardio do milho safrinha, semeado depois da retirada da oleaginosa. Com este cenário, os preços que estão na casa dos R$ 18 devem continuar no mesmo patamar, praticamente o dobro do valor de comercialização do ano passado e 28% superior ao preço mínimo, de R$ 13,98.

Para o superintendente da Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Otávio Celidônio, com o plantio atrasado houve menos tempo de chuva durante o desenvolvimento do grão, o que apontou no último levantamento do instituto perda de 10% de produtividade e até 20% para aqueles que plantaram depois de 25 de fevereiro. Os números exatos, porém, ele acredita que só terá quando a colheita foi finalizada.

Com menor produção, que de 8,414 milhões de toneladas deverá baixar para 6,738 milhões (t) entre a safra passada e a 2010/2011, e os melhores preços, a expectativa é que não seja necessária a intervenção do governo para regulação de abastecimento e de preços. Segundo o gerente de operações da COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB) em Mato Grosso, Charles Córdoba Nicolau, por enquanto não há previsão de leilões para comercialização ou escoamento do grão devido ao bom desempenho do setor, a não ser que haja desabastecimento de mercado, o que exigiria comercialização do estoque do Estado, estimado em 1,3 milhão de toneladas.

Leilão programado para esta quinta-feira (30), de 5,5 mil toneladas de milho de Mato Grosso, é referente ao estoque remanescente de outros leilões, cujo volume não foi vendido. Em Sinop, o diretor do Sindicato Rural, Leonildo Barei, afirma que o resultado das máquinas que estão retornando da lavoura está assustando os produtores. "Estão colhendo menos do que se esperava, mesmo contabilizando as perdas de produtividade". De acordo Barei, era prevista uma redução de 40% na região, mas agora estão cogitando a possibilidade de perdas maiores, porém o percentual ainda não foi calculado.

Mesmo com a venda antecipada de 62,4% da safra e as perdas de produtividade, o diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Carlos Henrique Fávaro, afirma que o Estado não corre o risco de ficar desabastecido, uma vez que das 6 milhões de toneladas a serem produzidas, 2 milhões (t) serão para o mercado externo e o consumo interno é de 2,5 milhões (t). "A demanda está aquém da oferta do mercado nacional, de cerca de 4 milhões de toneladas, ou seja, Mato Grosso não ficará desabastecido".