Colheita de trigo avança no Rio Grande do Sul, que comercializa estoque da safra anterior

Produtores do Paraná seguram produto, na expectativa de preços melhores

Canal Rural / Beatriz Bucciano

Foto: Canal Rural / Beatriz Bucciano

As condições adversas que prejudicaram o plantio seguiram afetando negativamente a cultura ao longo de todo o ciclo, atrapalhando o manejo no Rio Grande do Sul

Com cerca de 300 mil toneladas de trigo da safra anterior ainda estocadas no Rio Grande do Sul, o avanço da colheita começa a gerar preocupação tanto para produtores quanto para armazenadores, aponta a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

– Por mais que a safra deste ano não atinja o potencial esperado, o estoque do ano passado represado diminui a capacidade dos armazenadores. É mais um problema que produtores, cooperativas e cerealistas precisarão solucionar – destacou o presidente da comissão do Trigo da Farsul, Hamilton Jardim.

As condições adversas que prejudicaram o plantio seguiram afetando negativamente a cultura ao longo de todo o ciclo, atrapalhando o manejo. Com isso, Jardim acredita que deva haver alguma dificuldade para separar o cereal de qualidade do de baixa qualidade, em algumas regiões do Estado.

• Problemas climáticos devem reduzir produtividade e qualidade do trigo nesta safra

O Rio Grande do Sul não teve seu produto no leilão de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), já que ainda há um volume muito baixo disponível, mas estará presente nas operações a partir de 30 de outubro.

– Durante novembro, devemos ter uma compensação em relação a volume e qualidade nos leilões da Conab – afirmou Jardim. O dirigente acredita que através das operações do governo, o maior volume de trigo gaúcho deve ser comercializado no mês de novembro.

O primeiro leilão, realizado no dia 7 de outubro, que tinha produto do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, encontrou demanda para apenas 42,5% das 160 mil toneladas ofertadas, restando 92 mil toneladas. O valor total da operação foi de R$ 9.246.655,34. O leilão do dia 16 do mesmo mês ofertou novamente 160 mil toneladas do cereal para Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, e negociou 94,17% deste total, com o valor da operação de R$ 19.881.447,35. No dia 23, outras 160 mil toneladas foram ofertadas aos mesmos Estados. Destas, só houve demanda para 59,79%, com o valor total da operação de R$ 11.950.575,58.

Já no leilão do dia 30 de outubro, que contará com a participação de 100 mil toneladas de trigo gaúcho, serão ofertadas 206 mil toneladas da safra 2014/2015 para Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Paraná espera valorização e restringe oferta

Apesar de as vendas do trigo paranaense desta temporada estarem atrasadas em relação às quatro safras anteriores, produtores passaram a restringir a oferta do grão de boa qualidade, de acordo com o Cepea.

As preocupações com a qualidade do trigo, especialmente do Rio Grande do Sul, abrem expectativas de valorização do cereal do Paraná, de melhor qualidade, nos próximos meses.

Moinhos, no entanto, passaram a comprar apenas pequenos volumes, mantendo a exigência de produto de boa qualidade. No mercado brasileiro de derivados, melhorou a liquidez da farinha de trigo, segundo informações do Cepea. Representantes de moinhos afirmam que a demanda tem sido puxada pelos preços menores do produto e também pela diminuição dos estoques dos compradores. Já a demanda no segmento de farelo de trigo desaqueceu devido à baixa de preços do milho, à maior oferta de triguilho destinado à ração animal e também à recuperação de moagem das farinhas.

CANAL RURAL COM INFORMAÇÕES DA FARSUL E DO CEPEA

Fonte: Ruralbr