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COLABORADOR | Memória | Carlos Adílio Maia do Nascimento

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É a capacidade de lembrar de algo passado. A história é pendular, repete periodicamente momentos vividos por comunidades, povos e países. Daí a importância de lembrar fatos ocorridos no antanho e compará-los com os dias atuais. Estamos lendo o segundo volume da trilogia sobre Getúlio Vargas, magistralmente escrito pelo jornalista e escritor Lira Neto, recentemente editado. A figura de Vargas é indissociável do processo de modernização do Brasil. Apesar das controvérsias, sempre presentes na vida dos grandes homens, Getúlio foi responsável pelas mudanças fundamentais que conduziram nosso país à modernidade, permitindo-lhe assumir em apenas meio século o destacado lugar que ocupa no cenário mundial.

Tentando justificar a forma não democrática de seu governo, Getúlio diz: ‘O período ditatorial tem sido útil, permitindo a realização de certas medidas salvadoras, de difícil ou tardia execução dentro da órbita legal. A maior parte das reformas iniciadas e concluídas não poderia ser feita em um regime em que predominasse o interesse das conveniências políticas e das injunções partidárias’.

No dia 27 de novembro de 1936 aportou no Rio de Janeiro o presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, em viagem para Buenos Aires, onde se realizaria a Conferência Interamericana de Consolidação da Paz. A propósito, na época, era grande a importância da Argentina, seu PIB era superior ao PIB brasileiro. O presidente americano permaneceu 24 horas no Rio e, em banquete em sua homenagem, Getúlio ressaltou as medidas do New Deal, programa implementado por Roosevelt para tentar reerguer os Estados Unidos do atoleiro da Grande Depressão, consistindo em medidas intervencionistas envolvendo o investimento maciço em obras públicas e amparo social aos trabalhadores, contrariando o receituário do liberalismo clássico, avesso à ingerência do Estado na economia. Enfrentando sérias resistências, Roosevelt precisou recorrer a composições no Congresso e a acomodações no poder Judiciário. Agradecendo o discurso, o homenageado disse: ‘Foram duas as pessoas que inventaram o New Deal: o presidente do Brasil e o presidente dos Estados Unidos’.

presidente do IBPS

Fonte: Correio do Povo | COLABORADOR | Memória | Carlos Adílio Maia do Nascimento