COLABORADOR | Federarroz | Por Carlos Adílio Maia do Nascimento

Como orizicultor há meio século, tendo passado pela presidência do Irga e do Sindicato da Indústria do Arroz de Pelotas, tendo sido fundador e vice-presidente da Federarroz na gestão de Clóvis Terra Machado e então ter exercido a presidência temporariamente e ainda ter recebido por duas vezes a honrosa qualificação de ‘Homem do Arroz’, sentimo-nos no dever de tecer algumas considerações sobre a recente eleição ocorrida em nossa Federação.

Estranhamos o fato de a eleição ter sofrido ação judicial mudando o local e a data. Há um ano em reunião de arrozeiros havida no Alegrete, assistimos e nos entusiasmamos com a composição de uma chapa que a nosso ver representava a salutar união de um passado de lutas e experiência com uma inovação jovem e competente. Pensamos, então, estar a lavoura orizícola preparando-se para cumprir o novo paradigma a instalar-se em nosso país, que prima pela união que leva à organização necessária para definir e defender as prioridades de um setor, no caso, de suma importância para a segurança alimentar de nosso povo.

Foi-nos surpreendente e difícil entender a nova situação eleitoral e neste afã procuramos inteirarmo-nos do que estava acontecendo. Tomamos conhecimento de fatos pouco abonatórios quanto à representação da entidade, que chegou a reunir 45 associações de arrozeiros, agora reunindo apenas 26. Manobras nepotistas teriam havido no exercício do processo eleitoral. A Federarroz ao longo de 25 anos participou e liderou importantes mobilizações reivindicatórias, como a memorável marcha para Brasília conhecida como ‘caminhonaço’. É entidade legítima e democrática o que prova a regular alternância em seu comando. Nada diminui mais a representatividade de uma Federação e provoca a evasão de entidades por ela representadas que ser dirigida por pessoas sem liderança reconhecida ou pacientes de manipulação oculta. A legitimidade de um dirigente lhe é conferida pelo efetivo exercício da atividade que representa.

Uma federação vigilante e com maior poder de atuação deve ter sede na capital do Estado e representação na capital federal, onde são tratados os problemas concernentes à atividade. São nossos votos à diretoria eleita: que conduza a Federarroz dentro do novo modelo pelo qual a nação brasileira se mobiliza nos dias atuais, evidentemente mais compatível com os valores éticos e morais.

presidente do IBPS

Fonte: Correio do Povo | Por Carlos Adílio Maia do Nascimento