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Cofco Agri e CMAA têm interesse em usina da Renuka

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A Renuka do Brasil, controlada pela indiana Shree Renuka Sugars, já tem ao menos dois grupos interessados em adquirir uma de suas usinas: a chinesa Cofco Agri e a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA). Conforme apurou o Valor, ambas pediram habilitação para dar lance no leilão da usina Revati, localizada em Brejo Alegre (SP), que está sendo colocada à venda pela Renuka no âmbito de sua recuperação judicial.

Além das empresas citadas, outras duas estão avaliando as instalações da planta e os canaviais e ao menos um deles apresentará pedido de habilitação, de acordo com uma fonte que acompanha de perto as negociações em andamento.

O pedido de habilitação não significa que essas empresas têm que apresentar lances, mas é um procedimento necessário para que elas possam participar da disputa. Outras companhias ainda podem manifestar interesse, já que o período de habilitação vai até o dia 9 de agosto. O leilão judicial está marcado para 4 de setembro.

As duas potenciais compradoras que se inscreveram no páreo até o momento avançaram no segmento sucroalcooleiro no Brasil justamente por meio de aquisições.

A maior delas é a Cofco Agri, controlada pela estatal chinesa de alimentos Cofco, que entrou no segmento sucroalcooleiro no Brasil ao adquirir o controle da Noble Agri e, consequentemente, quatro usinas em São Paulo. Juntas, as plantas têm capacidade para moer 15 milhões de toneladas de cana por safra. As unidades estão na região de São José do Rio Preto e Araçatuba, relativamente próximas à usina Revati.

Não é a primeira vez que a Cofco se interessa por uma usina da Renuka. Quando a indiana tentou leiloar sua outra unidade, a Madhu, em Promissão (SP), a chinesa chegou a avaliar o negócio, mas desistiu por causa da falta de cana disponível e do preço considerado alto pedido no leilão. O lance mínimo era de R$ 700 milhões, para uma capacidade instalada para processar cerca de 6 milhões de toneladas por safra.

Após desistir daquela transação, Marcelo Andrade, diretor global de açúcar da Cofco Agri, afirmou que o objetivo no curto prazo seria preencher a capacidade das unidades que a empresa já controlava. Mas o interesse em crescer no mercado brasileiro continuou no horizonte.

Segundo fonte com conhecimento do assunto, a Cofco ainda está realizando estudos para avaliar se apresentará de fato uma proposta, mas tem ressalvas quanto à situação atual da planta.

Por sua vez, a CMAA estreou no segmento com uma unidade no município mineiro de Uberaba – a Usina Vale do Tijuco – e avançou em 2016 ao adquirir uma unidade da ADM, a Usina Vale do Pontal, no município mineiro de Limeira do Oeste. As duas plantas têm, no total, capacidade para processar cerca de 5 milhões de toneladas de cana.

Na safra passada (2016/17), a CMAA processou 3,69 milhões de toneladas e registrou receita líquida de R$ 605,1 milhões. Embora o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado tenha subido 13%, para R$ 215 milhões, a CMAA encerrou a safra com prejuízo líquido de R$ 100 milhões, 91% maior que o do ciclo anterior.

Procuradas, a Renuka e a Cofco Agri disseram que não comentariam o assunto. A CMAA não retornou o pedido de entrevista.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor