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Cocal quer comprar usina da Unialco

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O grupo paulista Cocal, que processa cerca de 10 milhões de toneladas de cana por safra, fez uma proposta de compra de uma das usinas da sucroalcooleira Unialco, em recuperação judicial desde novembro do ano passado. Em reunião com bancos credores na quarta-feira, dia 3, a Cocal ofertou pela unidade R$ 142,7 milhões, conforme apurou o Valor. A proposta significa um desconto de cerca de 80% sobre o passivo bancário.

Entre os principais credores financeiros da Unialco estão Santander, ItaúBBA, Bradesco, HSBC, Natixis e HSH Nordbank. A intenção da Cocal é adquirir a usina Guararapes, localizada no município paulista de mesmo nome, e distante 200 quilômetros de suas duas unidades, em operação em Paraguaçu Paulista e Narandiba.

Duas possibilidades foram colocadas na mesa. A primeira propõe R$ 142,7 milhões pela unidade por meio de assunção de dívida, o que significaria que os débitos bancários totais, de R$ 713 milhões, sofreriam um desconto de 80%. Essa "nova" dívida seria ainda parcelada por um prazo de sete anos, com carência de 36 meses para o pagamento do principal e também carência do pagamento de juros até abril de 2017.

Os bancos que aderirem a essa primeira opção teriam ainda que participar de uma operação sindicalizada com outras instituições financeiras credoras para conceder um novo empréstimo, de R$ 70 milhões para capital de giro da usina. O proposto foi que essa nova operação teria 12 meses de carência e prazo de seis anos de pagamento.

A segunda proposta foi direcionada aos credores que buscam receber à vista. Nesse caso, haveria um desconto de 95% sobre o principal da dívida bancária. Mas, segundo apurou a reportagem, a intenção da Cocal é que a maior parte dos credores aceite a primeira proposta, de parcelamento. Procurada, a Cocal não se pronunciou.

Com capacidade para moer até 2,5 milhões de toneladas de cana por safra, a usina Guararapes processou na atual temporada, a 2015/16, um volume de 2,1 milhões, segundo a Unialco que, nesta transação de compra e venda está sendo assessorada pela Czarnikow. A outra unidade, localizada em Aparecida do Taboado (MS) e que está fora da negociação com a Cocal, processou no ciclo 1,5 milhão de toneladas.

Se o negócio com a Guararapes for concretizado, o grupo Cocal, que atualmente detém duas usinas que moem juntas 10 milhões de toneladas, passaria a um processamento anual de superior a 12 milhões de toneladas.

Para realizar o negócio, os ativos da Guararapes (agrícola e industrial) teriam que ser transferidos para uma Unidade Produtiva Independente (UPI) e colocados à venda em um leilão judicial, uma vez que a empresa está em recuperação. Os débitos fiscais e trabalhistas da unidade ficariam fora da negociação e permaneceriam sob o guarda-chuva do grupo Unialco – que, no caso da venda da UPI Guararapes, passaria a ter somente a unidade Alcoolvale, de Aparecida do Taboado (MS).

Ao Valor, o diretor-presidente da Unialco, Luiz Zancaner, disse que não pode mencionar nomes, mas confirmou que "há interessados" na Guararapes. O grupo vinha enfrentando há alguns anos dificuldades financeiras e tentava negociar com credores uma saída para seus débitos. A empresa informou à Justiça uma dívida de R$ 1 bilhão, das quais R$ 713 milhões com bancos.

Por Fabiana Batista | De São Paulo
Fonte : Valor