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CNA reivindica nova renegociação e criação de fundo para crédito agrícola

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A crise da agropecuária está só começando e pode piorar na safra 2009/2010, refletindo-se em queda da oferta e aumento de preços, alerta a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Perante tal cenário, os R$ 500 milhões anunciados pelo governo para refinanciar dívidas relativas a compras de máquinas agrícolas é pouco para aliviar as pressões sobre o setor.

A entidade solicita a rápida destinação de novos recursos para o plantio de algodão (R$ 1 bilhão) e para a comercialização (R$ 2,5 bilhões). Com isso, o total de crédito para a comercialização da próxima safra chegaria a R$ 4 bilhões, considerando parcela de R$ 1,5 bilhão já previsto na proposta do Orçamento da União.

Para resolver o problema de crédito no médio e longo prazo, a CNA propõe a renegociação das dívidas contraídas entre 2003 e 2006, no montante de R$ 75 bilhões, e a criação de um Fundo Garantidor, que serviria como “fiador” para a tomada de créditos pelos produtores na próxima safra. “O brasileiro não sentiu de fato a crise. Só vai sentir quando atingir a mesa”, disse a presidente eleita da CNA, senadora Kátia generic drugs Abreu (DEM/TO).

A dirigente sugere que ao mesmo tempo em que se firme a renegociação das dívidas passadas, sejam criadas e implantadas políticas de sustentação de preços agrícolas e que garantam renda para o produtor. Para a senadora, a solução é simples: o auxílio deve vir do governo. “Isso é função do Tesouro”.

Apesar de apontar para a escassez do crédito como um dos principais problemas do setor rural, ela disse que a inadimplência também é um grave problema. Isso ocorre porque, com as últimas renegociações de dívidas, aumentou a quantidade de produtores classificados como de alto risco de crédito.

Em 2003, somente 3% do crédito rural era de alto risco, segundo a CNA. sobre operações de crédito rural firmadas com o Banco do Brasil. Em julho deste ano, esse percentual saltou para 14,5%. Esses índices referem-se as piores faixas de risco do crédito bancário (faixas D a H, ou seja, com pagamentos atrasados em dois meses ou mais). Quem está classificado como de alto risco não consegue novo crédito.

A senadora pede que recursos das linhas oficiais de investimento sejam realocadas para outras operações, como a de custeio ou comercialização. “Quem faz investimento com essa crise?”, questionou Kátia. Dados da CNA indicam que dos R$ 10 bilhões disponíveis para investimento em crédito oficial, somente R$ 2 bilhões foram repassados.

Segundo Kátia Abreu, não adianta prorrogar dívidas. “Cada ano de prorrogação aumenta compare prices cialis em 25% o risco de crédito da agropecuária”, disse. “Alimento barato tem que custar para alguém em algum lugar, seja para o consumidor, seja para o contribuinte”. Para ela, nos EUA há mecanismos de proteção de preço do produto agrícola, mas com custos repassados ao consumidor. Na Europa o auxílio à área rural é concedido por meio de apoios oficiais, pagos pelo contribuinte.

Fonte: Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados – Pág. 7