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Câmbio castiga BRF, que começa 2017 no vermelho

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A BRF iniciou 2017 no vermelho. Em meio à maior crise de sua história, a companhia amargou um prejuízo líquido de R$ 281,4 milhões no primeiro trimestre. Trata-se de um desempenho muito inferior ao registrado um ano antes, quando a companhia lucrou R$ 39 milhões.

A empresa, que se viu no olho do furacão com a deflagração da Operação Carne Fraca, em meados de março, reconheceu ontem que sofreu com o estoque elevado de carne de frango em países muçulmanos e na África. A apreciação cambial também afetou a rentabilidade das exportações da empresa. No mercado brasileiro, as marcas da BRF – Sadia e Perdigão – voltaram a perder participação em alimentos processados, embora a empresa veja "sinais de estabilização".

"Não estamos felizes com os resultados apresentados", disseram, no relatório que acompanha o balanço, o CEO global da BRF, Pedro Faria, e o presidente do conselho de administração, Abilio Diniz.

No primeiro trimestre do ano, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da BRF totalizou R$ 506 milhões, redução de 50,7% na comparação com o Ebitda de R$ 1,025 bilhão reportados em igual período de 2016. Com isso, a margem Ebitda da empresa caiu 6,1 pontos percentuais, saindo de 12,6% nos primeiros três meses do último ano para apenas 6,5% no mesmo período de 2017.

Diante da valorização cambial e dos estoques elevados em clientes importantes, a receita com vendas da BRF também foi afetada. Ao todo, a receita líquida da empresa de alimentos atingiu R$ 7,809 bilhões entre janeiro e março, 3,8% menos que os R$ 8,120 bilhões de um ano antes.

No primeiro trimestre, as vendas da BRF no Brasil renderam R$ 3,654 bilhões, aumento de 3,2%. Por outro lado, o lucro antes de juros e impostos (Ebit, na sigla em inglês) dos negócios no Brasil recuou 1,1%, somando R$ 331 milhões. A margem Ebit no Brasil diminuiu 0,4 ponto-base, saindo de 9,4% para 9,0%.

No exterior, onde atua tanto por meio de exportações a partir do Brasil como também pelas fábricas que tem na Argentina, Sudeste Asiático e Oriente Médio, os resultados também foram negativos. O Ebit da subsidiária OneFoods – que atua nos mercados muçulmanos – ficou negativo em R$ 44 milhões no primeiro trimestre. Na Ásia, a redução foi de 59,7%, para R$ 44 milhões. Na África, o Ebit ficou negativo em R$ 28 milhões.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor