Câmbio ajuda Coamo a faturar R$ 10,6 bi em 2015

Gallassini: crescimento em 2016 vai depender de comportamento do dólar
Maior cooperativa agrícola da América Latina, a Coamo, sediada em Campo Mourão (PR), fechou 2015 com o mais robusto faturamento de sua história. Favorecida pela escalada do dólar frente ao real, a receita da Coamo somou R$ 10,66 bilhões, alta de 22,8% ante 2014. Já as sobras (que correspondem ao lucro das cooperativas) somaram R$ 320 milhões, alta de 24%. Parte da sobras (R$ 97 milhões) foi adiantada em dezembro, e o restante deve ser pago hoje.

"Compramos os insumos com o dólar mais baixo, e quando o dólar subiu, ajudou muito os cooperados a venderem bem a produção", disse ao Valor José Aroldo Gallassini, presidente da Coamo. Nos últimos meses, o câmbio tem ajudado a compensar para os agricultores brasileiros o baixo nível de preços da soja e do milho na bolsa de Chicago, derivado da ampla oferta global das duas commodities.

Com as cotações atraentes no mercado doméstico, os produtores ligados à Coamo já negociaram 25% da safra prevista para a soja em 2015/16 (em fase de colheita), e 20% da produção esperada de milho.

A expectativa da cooperativa é de uma movimentação na casa de 7 milhões de toneladas de grãos, semelhante à do ano passado. Atualmente, a Coamo tem 28 mil associados e 112 unidades de recebimento no Paraná, em Santa Catarina e em Mato Grosso do Sul.

As exportações responderam por pouco mais de 40% da receita da Coamo em 2015, ou US$ 1,17 bilhão. "Vendemos um milhão de sacas de milho para os Estados Unidos, em plena safra americana", disse Gallassini. A cooperativa também ampliou as vendas de trigo para o Nordeste brasileiro. "Contamos com um excedente de trigo, apesar de termos nossos moinhos. O clima foi ruim no ano passado no sul do Paraná e Rio Grande do Sul, mas na nossa região foi bom", explicou.

Em 2015, a Coamo inaugurou um novo moinho de trigo em Campo Mourão, que processa 500 toneladas por dia e se soma às 200 toneladas por dia da unidade mais antiga da cooperativa. No setor de alimentos industrializados, que inclui farinha de trigo, óleo de soja refinado, margarinas e café, a Coamo faturou R$ 790,11 milhões.

Para este ano, a Coamo pretende abrir três novos entrepostos de recebimento e construir uma indústria de processamento de soja em Dourados (MS), que absorveria em torno de R$ 500 milhões. A obra será discutida em assembleia, em março. Uma fábrica de ração continua no radar.

Na sexta-feira, foram reeleitos os membros da diretoria para o mandato 2016-2020, assim como o presidente da cooperativa – Gallassini está há 41 anos à frente da Coamo. "Normalmente crescemos 10% a 15% ao ano, mas para 2016 temos um pouco de preocupação. Quando se chega num certo patamar [de faturamento], não é fácil crescer muito. Tudo vai depender do dólar", previu.

Por Mariana Caetano | De São Paulo

Fonte : Valor