CÂMARA APROVA MP DO SEGURO-DESEMPREGO

AJUSTE FISCAL SESSÃO TUMULTUADA

DEPOIS DE AMEAÇAS de PT e PMDB, governo Dilma conseguiu aprovar medida que endurece as regras de concessão do seguro-desemprego

Em uma sessão tensa, com bate-bocas, manobras protelatórias, chuva de “petrodólares” e retirada de sindicalistas do plenário, a Câmara aprovou ontem uma das medidas provisórias (MPs) do governo Dilma Rousseff que limitam a concessão de benefícios previdenciários e trabalhistas. A MP 665 tem como ponto central o endurecimento das regras para a concessão do seguro-desemprego. Destaques e emendas à medida devem ser votados hoje.
O governo tentava aprovar a proposta desde terça­feira, mas corria o risco de não ter os votos necessários para isso. As bancadas de PT e PMDB mantiveram um vaivém até a última hora em relação à proposta, que representa desgaste eleitoral por seu caráter antipopular. O pacote de ajuste fiscal envolve três medidas provisórias (664, 665 e 668). A MP 665 segue agora para o Senado. As outras duas ainda precisam passar pelos plenários da Câmara e do Senado.
Na terça, os petistas definiram apoio à MP, mas não estabeleceram punição aos infiéis. Com isso, o PMDB ameaçou abandonar o barco, o que poderia resultar na maior derrota do governo Dilma desde o início do segundo mandato. Ontem, sob intensa pressão do Planalto, o PT aceitou “fechar questão”. Pelas regras da sigla, isso significa que todos os deputados da bancada devem votar a favor da medida. A mudança de postura agradou ao PMDB, que voltou a defender o ajuste fiscal. O texto passou por 252 votos a favor, 227 contra e uma abstenção. Houve acordo prévio para votação foi nominal, na qual o voto é identificado.
Antes, a sessão foi tumultuada por manobras regimentais da oposição para atrasar a decisão e pela ação de sindicalistas. Nas galerias, integrantes da Força Sindical realizaram um protesto que chegou a interromper a sessão. Levados pelo presidente licenciado da central, o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-­SP), eles gritaram palavras de ordem e xingamentos contra o governo e atirarem notas de “petrodólares” no plenário. As notas falsas tinham os rostos de Dilma, Lula e João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT suspeito de desvios na Petrobras. Os manifestantes acabaram sendo retirados.
Outro momento de tensão envolveu Jandira Feghali (PC do B-RJ), Orlando Silva (PC do B-SP), Roberto Freire (PPS-SP) e Alberto Fraga (DEM­DF). Depois de a deputada comunista criticar Freire, Fraga foi a um dos microfones, contestou a colega e disse que “mulher que bate como homem, tem que apanhar como homem também”.
O dia havia começado tenso por conta da divulgação da informação de que o Supremo Tribunal Federal havia autorizado operação de busca e apreensão na Câmara relacionada ao inquérito da Polícia Federal que investiga o envolvimento do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), nos desvios na Petrobras. Irritado, Cunha disse que o pedido de diligência feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, indicaria “desespero” de achar algo que possa incriminá-lo.

Fonte: Zero Hora