.........

Clima seco favorece desenvolvimento de doenças no trigo

.........

No Sul, onde está 90% da produção nacional, quatro grupos de fungos são mais prejudiciais

por Globo Rural On-line

 Shutterstock

Doenças no trigo causadas por fungos pode reduzir a produtividade em cerca de 44,6%, o equivalente a 1.152 kg/ha (19,2 sacas de 60 kg) de trigo por hectare

O clima seco tem favorecido o desenvolvimento dos cereaisde inverno, mas o produtor deve ficar atento à presença defungos na lavoura que podem causar doenças mesmo com a baixa incidência de chuva. A formação de orvalho à noite e temperaturas entre 20 e 25ºC ao longo do dia tornam o ambiente favorável ao desenvolvimento de fungoscausadores de doenças que podem ocasionar perdas em quase metade da produção de trigo.
No Brasil, cerca de 15 doenças podem ocorrer nas lavouras de cereais de inverno, mas na Região Sul, onde está 90% da produção nacional de trigo, quatro grupos são os que mais causam problemas: oídio, ferrugem, manchas e giberela. De acordo com a Embrapa Trigo, as perdas em rendimento de grãos causadas pelas doenças em trigo são na média de 44,6 %, o equivalente a 1.152 kg/ha (19,2 sacas de 60 kg) de trigo por hectare. O volume não computa a qualidade dos grãos colhidos, fator importante no momento da comercialização do produto pelo agricultor.
O aumento das chuvas na primavera é comum no sul do país, favorecendo as doenças de espiga, como a giberela, o que torna o uso de fungicida uma ferramenta importante para estabilizar a produção de grãos. No entanto, o controle de doenças tem mais chances de sucesso quando associa procedimentos como tratamento de sementes, semeadura na época indicada, adubação equilibrada, rotação de culturas, escolha adequada da cultivar e, por último, o tratamento da parte aérea com fungicidas. O risco de depender apenas de fungicida existe pois o clima pode não colaborar, dificultando as operações na lavoura e a própria eficácia do produto.
Atualmente, existem 79 produtos registrados para tratamento da parte aérea do trigo e outros 11 produtos indicados para o tratamento de sementes. Como os gastos com defensivos representam 16% do investimento na lavoura, a Embrapa recomenda que vale a pena comparar o custo no tratamento de sementes – R$6,00 a R$ 25,00/ha – com o custo do tratamento com fungicidas na planta – R$ 19,50 a R$ 75,00/ha.
Conheça os sintomas e como controlar algumas doenças do trigo:
Manchas Foliares: as mais frequentes são macha marrom, mancha amarela e mancha das glumas. Para controle, o principal recurso é a rotação de culturas, que pode reduzir a incidência de manchas em até sete vezes, associado ao tratamento de sementes e ao uso de cultivares resistentes. O monitoramento da lavoura deve iniciar a partir do alongamento, mas para determinar o controle das manchas é preciso fazer amostragem de plantas infectadas em vários pontos da lavoura.
Oídio: controle deve contar com o tratamento de sementes, uso de cultivares resistentes e tratamento com fungicida.Emcultivares suscetíveis, é mais econômico via tratamento de sementes do que por meio da aplicação de fungicidas nos órgãos aéreos. O monitoramento da doença deve começar no afilhamento do trigo.
Ferrugem da Folha: apesar de existirem cultivares resistentes no mercado, frequentemente a resistência é quebrada com um novo surto da doença. A fase mais crítica é a partir do florescimento.
Giberela: como não existem cultivares resistentes, o controle depende essencialmente do manejo, começando pelo escalonamento da semeadura, o que evita que as plantas cheguem ao espigamento todas ao mesmo tempo, ampliando os danos. O monitoramento da lavoura deve começar no espigamento, antes mesmo do florescimento, até a fase final de enchimento de grãos. De uma maneira geral, estima-se que a eficiência dos fungicidas seja de, no máximo, 50 a 60%. Outra alternativa é acompanhar a previsão climática através de modelos de simulação da epidemia, como a ferramenta SISALERT: TRIGO (www.sisalert.com.br) que pode ser utilizada para conhecer o risco relativo de ocorrência da giberela nas lavouras de trigo.

Fonte: Globo Rural