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Clima derruba safra de trigo no PR

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A primeira estimativa para a safra 2016/17 de trigo do Paraná após as geadas da semana passada indica que a colheita deve sofrer uma redução de ao menos 19% ante a temporada passada, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab).

De acordo com a nova projeção, a colheita no Estado deve ser de 2,821 milhões de toneladas – 8% abaixo da estimativa de junho. A estimativa, porém, é conservadora e a quebra pode aumentar na próxima projeção, segundo Carlos Hugo Godinho, coordenador de estatística do Deral. A próxima estimativa será divulgada em agosto.

A geada, contudo, não é a única causa das perdas. Não chove nas áreas produtoras desde o fim de junho, o que já vinha comprometendo o potencial das lavouras e agravou-se em julho.

O clima seco também dificultou a observação dos técnicos nas lavouras, o que levou o Deral a fazer um cálculo "conservador", segundo o especialista.

Godinho afirmou que, dos 19% de perda estimada, cerca de 5 pontos percentuais devem-se à estiagem. Já as perdas derivadas exclusivamente da geada são mais difíceis de quantificar. "Pode ser que [as perdas por geada] sejam nas mesmas áreas e o dano seja agrupado, ou pode ser em outras áreas", disse.

As intempéries afetaram a produtividade das lavouras de trigo. A nova projeção indica uma redução de 6% no rendimento ante a safra passada, para 2,97 toneladas por hectare. Em junho, a perspectiva era de 3,14 toneladas por hectare.

Os problemas climáticos também levaram o Deral a reduzir sua estimativa da área plantada no Estado, de 977,3 mil hectares projetados em junho para 955,8 mil hectares agora. O ajuste, porém, foi considerado normal pelo técnico do departamento.

Apenas na última semana, em que foram registradas as geadas, as lavouras sofreram uma visível deterioração. Até segunda-feira, 8% da área estava em condições ruins, 6 pontos percentuais a mais que na semana anterior. Em igual período de 2016, não havia nenhuma parcela das lavouras de trigo nessa situação.

O cenário ainda pode piorar nos próximos dias. As previsões indicam tempo seco por mais uma semana, com chuvas de baixa intensidade previstas só em 4 de agosto.

Uma boa parte das lavouras segue suscetível a novas intempéries. Afinal, da área plantada, 55% estava em estágio de floração ou frutificação até segunda-feira, 24, enquanto a área em que as espigas já amadureceram, escapando dos efeitos das adversidades climáticas perfaziam apenas 1%.

A princípio, seca e geadas prejudicam a produtividade das lavouras. Mas também pode haver problemas na qualidade. Isso pode ocorrer se o produtor colher áreas afetadas e não afetadas conjuntamente, misturando grãos de alta e de baixa qualidade, explicou Godinho.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor